Como se muda um país?

Fábio Bonini

23 de janeiro de 2012 | 10h58

Aproveito o início de ano para escrever sobre mudança. Nada de promessas pessoais ou mudanças individuais – sempre necessárias. Falo de mudanças em um país. Quando se pensa em mudar um país, só há duas maneiras: por meio de revolução (ruptura abrupta), que se provou utópica, ou por meio de reforma (alteração mais lenta de cultura e ações).

Acredito na reforma: primeiro instala-se o desejo de mudança em um pequeno grupo. Este grupo e este desejo vão crescendo alargando até tornarem-se representativos e, com o tempo e as devidas intervenções no processo político, altera-se um conjunto de leis para implantar a desejada mudança.

No Brasil democrático, a vontade de reforma em certas áreas é retardada demais pela letargia do sistema, incapaz de promover estas mudanças. Essa incapacidade, ao lado da questão ética, tem desacreditado a classe política. E pior, este descrédito se espalha para todo o processo político em cada um de seus níveis.

Para quem participou da vida política nos últimos 25 anos no Brasil, há senso comum com relação a certas mudanças, porém, também há consenso que estas não virão, pois na denominada classe política, o nível de comprometimento com a governabilidade (que descamba para clientelismo e fisiologismo) aliado aos problemas regionais da política brasileira, impedem que as reformas ocorram.

Reformas que precisam ser realizadas são relegadas a quinto plano – não interessam ao establishment político, por razões ideológicas, eleitoreiras ou cartoriais. Basta lembrar que as duas principais correntes ideológicas que dominaram a cena política nos últimos 16 anos foram igualmente incompetentes, para não dizer inertes,  em realizá-las.

Vamos dar nome a algumas destas questões que precisam de reformas (e mudanças): previdência pública x previdência privada, representatividade da Câmara dos Deputados por habitante e não por estado-membro, reforma política, reforma tributária, estabilidade do servidor público, obrigatoriedade do Serviço Militar, regulação dos lobbies, mudança do código penal. E isso é só o começo.

Já temos uma massa crítica de assuntos a merecerem um tratamento especial – para não dizer urgente. Sou favorável, portanto, a uma Assembléia Nacional Constituinte, descolada completamente da vida ordinária do atual Congresso Nacional. Precisamos de mais debates e maior participação da sociedade (organizada ou não), com mais transparência e menos politicagem. Fazer a população participar mais do processo político também é outra questão fundamental. Não seria esta a energia que falta para que as mudanças ocorram?

 

Confissões de rodapé: Nossa São Paulo foi construída por mulheres, homens, homossexuais, índios, brancos, negros, imigrantes, paulistanos, paulistas, demais brasileiros e muitos estrangeiros. Parabéns São Paulo, uma boa parte do Brasil e do mundo comemorará seus 458 anos !!!

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