Como chegar do outro lado? Pense bem.

Fábio Bonini

26 de agosto de 2011 | 14h51

Trabalho na Avenida Paulista e convivo diariamente com todas as “tribos” de São Paulo. Sair na hora do almoço inclui cruzar com pessoas de várias idades, posturas, profissões, hábitos. Do advogado engravatado ao motoboy, da secretária ao estudante, todo tipo de gente passa pela Paulista. E passa a pé, de moto, de carro, de ônibus e metrô.

Tão eclética quanto a identidade das pessoas por aqui, é a variedade de meios de transporte – esqueci de falar dos ciclistas e skatistas, cada vez mais abundantes. Por isso é normal ver uma disputa quase selvagem entre pedestres, motos, carros, ônibus. Todo mundo no limite do espaço alheio, e da própria segurança.

Talvez por isso, a Avenida Paulista esteja entre as áreas escolhidas pela Prefeitura como “Zonas Máximas de proteção ao Pedestre”, uma campanha pela redução de atropelamentos.  Nestas áreas, orientadores de tráfego vão fiscalizar intensamente as faixas de pedestres, colocar bandeiras em frente aos carros para as pessoas passarem. Agentes da CET também irão atuar, e as multas para quem não respeitar a faixa de pedestre serão aplicadas.

Mas o que fazer com quem insiste em atravessar fora da faixa? Faixas de pedestre existem aos montes na Avenida Paulista, maior ainda é o número de pessoas que preferem “cortar caminho”. O Edifício Scarpa (entre a Rua Peixoto Gomide e a Alameda Ministro Rocha Azevedo) fica entre duas faixas de pedestre, que estão no mesmo quarteirão. Mas tem gente que trabalha lá e escolhe atravessar entre as duas faixas, ao invés de andar cerca de 8 metros, para a esquerda ou para a direita, e cruzar a avenida como manda o figurino e a lei. Não vou citar nomes, porque são amigos meus, que inclusive já entraram em discussões tensas com os motoboys com quem cruzaram – no meio da avenida e fora da faixa de pedestre.

Este é apenas um exemplo, entre tantos outros que denunciam os maus hábitos dos pedestres. No ano passado foram mais de 7 mil atropelamentos só no município de São Paulo. A cidade lidera este triste ranking com mais do dobro de atropelamentos que o segundo colocado, o Rio de Janeiro, com cerca de 3 mil casos. Parte mais vulnerável na “guerra do trânsito” de São Paulo, os pedestres representam quase 50% dos mortos em acidentes.

Culpa dos motoristas que não respeitam as normas e abusam da velocidade e culpa dos pedestres que se arriscam desnecessariamente. Na frente dos Shoppings Eldorado e Morumbi, outros exemplos cotidianos de irresponsabilidade: sempre tem alguém atravessando a rua por baixo de uma passarela. Sim, tem uma passarela que liga os Shoppings aos pontos de ônibus e as pessoas cruzam a rua por baixo das passarelas – por baixo!

Além destes lamentáveis exemplos, gente imprudente atravessando ruas e avenidas sem medir riscos pode ser encontrada em todo lugar, infelizmente. São dezenas de flagrantes diários de atropelamentos que poderiam ser evitados se o pedestre optasse por andar um pouco mais até a faixa, ou subir na passarela, ou esperar o farol fechar para os carros.

A faixa, o semáforo e a passarela estão lá para você que quer atravessar a rua. Use-os. É para o seu próprio bem. Não adianta educar motoristas se o pedestre não for educado e inteligente. Na disputa por espaço com carros, motos e ônibus, quem se dá mal necessariamente é o pedestre. Entendeu?

Confissões de Rodapé:Pô….

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