Caminante, no hay camino?

Fábio Bonini

13 de setembro de 2011 | 15h58

“O Brasil é o país do futuro”, “ninguém segura este país” foram mantras repetidos à exaustão por décadas, principalmente durante os governos militares. Realmente, sobretudo para quem via de fora, parecíamos uma nação fadada ao sucesso: a vocação para ser o “celeiro do mundo” (outro mantra, ou sub-mantra corolário dos primeiros) parecia inevitável.

Cunhou-se o neologismo “supersafra” para nomear os seguidos sucessos no aumento da produção de grãos visando à exportação (“exportar é o que importa!” – haja mantra!). Entre idas e vindas, contribuímos para que nosso país se tornasse referência obrigatória no cenário internacional e uma peça indispensável no xadrez geopolítico mundial.

Que se trata de um gigante, ninguém duvida; mas, depois de levantar do berço esplêndido, para onde nosso “Adamastor” caminhará? Será o país das commodities, cujo crescimento baseia-se na exportação de produtos brutos como cereais, minério e petróleo? Uma plataforma avançada das indústrias de ponta com a abertura da economia às multinacionais? Terá desenvolvido uma intelectualidade própria, autônoma, apta a competir em igualdade de condições com as economias mais avançadas? Aproveitará o enorme mercado interno para implementar serviços de alta competitividade? Criará uma infraestrutura sustentável para desenvolver seu potencial turístico?

Ao que parece, abraçamos todas as opções acima; e, talvez, nenhuma delas completamente. Uma das premissas fundamentais para desenhar qualquer projeto, seja ele pessoal ou coletivo, é dizer aonde se quer chegar. Em síntese, trata-se de saber para onde ir – os objetivos do projeto- e como fazer para chegar “lá”, seja onde for. Daí, estabelecemos estratégias (como ir), metas claras, ações definidas e prazos de realização, que funcionam como indicadores para sabermos se estamos realmente caminhando no rumo desejado, de forma a validar o planejamento proposto ou alterá-lo face às intercorrências do trajeto percorrido. Em síntese, um projeto nada mais é que um mapa a ser seguido, um roteiro detalhado a partir do qual se desenvolvem as ações necessárias para alcançar os objetivos.

Com um país acontece exatamente a mesma coisa – ou, deveria. Para uma nação cumprir seu destino é preciso planejamento responsável, acompanhamento efetivo, transparência nas ações e determinação para alcançar resultados. Não há como fugir desse desafio, por mais difícil que seja estabelecer um projeto de país que contemple todas as necessidades, desejos e anseios de uma sociedade tão plural e desigual como a nossa. Mas sem projeto, qualquer ação, qualquer estratégia, qualquer sacrifício e qualquer vitória tendem a perder o sentido já que não se sabe ao certo para onde caminhamos.

Erradicar a pobreza, oferecer moradia decente, multiplicar as vagas nas creches, aumentar a oferta de emprego e garantir saúde de qualidade não são projetos de país. São metas fundamentais para a construção de uma sociedade digna, sem dúvida, mas não substituem a definição clara dos rumos e dos objetivos maiores de uma nação. Em se tratando do futuro da nação, não vale a lição poética do sevilhano Antonio Machado:

“Caminhante, são tuas pegadas/o caminho, e nada mais;

Caminhante, não há caminho,/se faz o caminho ao andar.

Ao andar se faz o caminho.”

 

Confissões de rodapé: Quem poupa tem …

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