A Dinamarca é aqui. Em parte…

Fábio Bonini

14 de agosto de 2011 | 23h55

A Dinamarca é considerada uma democracia moderna. Naquele país nórdico, forjado pelos famigerados Vikings, é livre e universal o direito ao voto, as instituições públicas são sólidas, os direitos fundamentais do cidadão, como liberdade religiosa, de opção sexual, de manifestação de pensamento e tantos outros são respeitados e garantidos. Igualmente, o acesso à educação e saúde de qualidade, bem como à qualificação profissional e aos demais benefícios sociais são exemplares e figuram entre os mais avançados do planeta. O dinheiro do petróleo explorado no Mar do Norte, as indústrias de tecnologia de ponta e o alto nível educacional colocam a Dinamarca há tempos entre as nações com melhor qualidade de vida do mundo.

Mesmo assim, ou até por isso, muitos dinamarqueses vêm defendendo a idéia de limitar a entrada de imigrantes, pois, segundo declarou recentemente seu Ministro da Integração, são eles os maiores consumidores de serviços essenciais promovidos pelos impostos dos dinamarqueses, que contudo não geram renda suficiente para custeá-los. Além disso, também declarou aquela autoridade, “alguns grupos de imigrantes são mais representados nas estatísticas de criminalidade.” Não se trata de segregação, mas da imposição de um “controle alfandegário”.

Para o ministro dinamarquês, os dinamarqueses que são favoráveis à adoção de um “controle alfandegário” visando dificultar o acesso de alguns grupos ao país entendem que não querem ver mudanças negativas em suas realidades, nem alterações no seu modo de vida, que tanto apreciam e que corre o risco de ser transformado pela cultura alienígena que livremente se instala naquele país.

São Paulo é a cidade mais rica e cosmopolita do Brasil e da América do Sul. Basta caminhar pelas suas ruas e praças para reconhecer rostos de toda parte do mundo. Parte dessa população, orgulhosa de sua história, das suas conquistas e de sua cultura, compartilha do sentimento expresso pelo ministro dinamarquês e não gostaria de facilitar aos imigrantes de sua própria cidade o acesso aos bairros mais sofisticados. Quer preservar suas famílias tradicionais daquela “gente diferenciada” que quer invadir sua praia exibindo seus rostos pelas praças, destoando da decoração das vitrines dos sofisticados shopping centers, marcos da elevada qualidade de vida à duras penas conquistada.

Pelo jeito, há algo de podre no reino na Dinamarca que Hamlet jamais pensou que fosse possível exportar para o Brasil.

Confissões de Rodapé: Jabuti não sobe em árvore …