Sopa de ninho de passarinho

Vitor Hugo Brandalise

23 de agosto de 2011 | 20h44

Por Rodrigo Burgarelli

São Paulo é uma das poucas cidades deste hemisfério onde é possível achar comidas tão exóticas quanto ovos de pata em conserva, pés de galinha embrulhados a vácuo e suco de geleia de ervas com sabor natural de lichia – todos por menos de R$ 3. Para encontrá-los, basta ir a qualquer um dos cada vez mais numerosos supermercados e lojinhas chineses da Liberdade, o famoso bairro oriental no centro de São Paulo.

A vinda de chineses para a capital paulista começou no final do século XIX, mas o número de imigrantes só ficou significativo a partir da década de 1950. Hoje em dia, eles ainda são um dos principais grupos que continuam imigrando para a cidade, ao lado dos bolivianos e paraguaios. Como o número de chineses recém-chegados ainda é grande, novos mercadinhos estão sendo abertos para atender a esse público – e a Liberdade é o bairro preferido para isso.

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(Mercado chinês na Praça da Liberdade. Foto: JB Neto/AE)

É raro encontrar alguém falando português nesses comércios. Ao contrário da comida japonesa, que já entrou para o gosto do paulistano há décadas, pouca gente conhece (e aprecia) a comida chinês típica. Ela varia de região para região naquele país, e engloba tanto pratos mais famosos como o macarrão chop-suey quanto iguarias raras e exóticas como sopa de ninho de passarinho feito com saliva de andorinhas.

Esse último pode se encontrado nas melhores lojinhas da Liberdade e é provavelmente o item mais caro da maioria delas – 30g podem custar mais de R$ 300, dependendo da qualidade. A produção é chinesa e viaja mais de 10 mil km até chegar aqui, assim como os ossos de peixe secos e as línguas de pato, vendidas em sacos coloridos como os dos salgadinhos ocidentais.

O ovo de pata temperado em conserva está entre os itens mais baratos: custa apenas R$ 1. Com mais alguns reais é possível escolher entre comidas prontas para comer como pés ou coxas de galinha defumados e embalados a vácuo. Há também vegetais frescos produzidos em colonias orientais em Mogi das Cruzes ou no interior paulista, como nabos e raízes de lótus.

Entre as bebidas, a mais exótica é o suco de geléia de erva, que vem com vários sabores diferentes, como lichia ou chá verde. Tudo isso para tornar mais fácil a adaptação das dezenas de milhares de imigrantes chineses que não param de chegar à metrópole.

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