R$ 1 tri no centro de SP

Vitor Hugo Brandalise

13 de setembro de 2011 | 20h34

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Um painel luminoso ao lado do Viaduto Boa Vista, no centro de São Paulo, virou atração maior do que qualquer edifício histórico da área durante alguns minutos, na hora do almoço de hoje. Os números do Impostômetro, tão velozes que geralmente mal chamam a atenção, desta vez pareciam ter destino pelo qual valia a pena esperar: se aproximavam, fatalmente, de R$ 1 trilhão em impostos pagos pelos brasileiros em 2011.

Absolutamente todos os que passavam reagiam de alguma forma aos ameaçadores 12 zeros (à direita) prestes a estourar: o homem balançou a cabeça, a mulher comentou com a outra, o camelô fingiu que não era com ele e muitos pararam para registrar, com câmera digital, um momento-símbolo da diminuição de nossas riquezas individuais.

Eis algumas reações de paulistanos em frente ao Impostômetro da Associação Comercial, no momento em que os últimos milhares de reais jorravam em direção ao primeiro trilhão em impostos do ano:

“Daqui a pouco, vai faltar espaço para marcar tanto imposto e vão ter de trocar o painel”, disse uma mulher.

“Dizem que esses impostos todos servem para melhorar o País, mas o fato é que meu dinheiro dá para cada vez menos”, retrucou um colega.

“Um país cresce menos com tanto imposto”, comentou outro, com ar de quem entendia.

Veio o motoboy: “O governo deveria fazer um teste: um mês sem cobrar nenhum imposto para ver só o que acontece.”

E o engravatado sacramentou: “É tanto número que vai cair o sistema.”

Exatamente às 11h31, o primeiro trilhão de reais em impostos municipais, estaduais e federais de 2011 chegou, devidamente distribuído, aos cofres das respectivas esferas.

A multidão dispersou e seguiu em frente, que afinal era hora do almoço.