Entre sacolas e chimarrões nas calçadas do Bom Retiro

Vitor Hugo Brandalise

30 de agosto de 2011 | 21h33

Por Cida Alves

Depois de mais de 16 horas de viagem e um dia inteiro de compras, a lojista Estela Maris Ranzi, de 47 anos, descansa tomando um chimarrão sentada no bagageiro do ônibus que a trouxe de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, ao Bom Retiro, na região central de São Paulo. A cada quinze dias, ela e outros comerciantes do sul do País enfrentam a longa viagem para abastacer seus estoques com mercadorias produzidas na capital. “Vale a pena o sacrifício, porque se pode tirar até 100% de lucro”, conta.

E não são apenas os lojistas que ganham com as viagens. Camila Tessari, de 19 anos, trabalha como guia das excursões que vêm de Caxias do Sul. Toda semana ela faz a viagem de ida e volta duas vezes, totalizando, no final do mês, 256 horas de estrada. “Eu só visito a minha casa. Praticamente, moro dentro do ônibus”. Mesmo estando no ramo há pouco mais de cinco meses, ela já consegue indicar para os clientes de primeira viagem as lojas onde podem encontrar o que procuram com bons preços.

O movimento dos lojistas de outros estados comprando no Bom Retiro cria filas de até sete ônibus em um único quarteirão. Os carregadores das lojas não param de chegar com sacolas enormes, chamadas de fardos. Em média, cada passageiro compra três fardos de mercadoria. “Mas tem gente que chega a levar até quarenta em uma só viagem”, comenta a guia Camila.

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