Bastidores cheios de surpresas nas cocheiras do Jockey

Vitor Hugo Brandalise

02 de setembro de 2011 | 21h43

Por Cida Alves

Mais de mil cavalos e éguas habitam as cocheiras do Jockey Club de São Paulo. Mas se engana quem pensa que são apenas os animais corredores que reinam no lugar. As baias escondem histórias de muita superstição e amizades insólitas.

Na cocheira do treinador Rodrigo Magalhães passeia tranquilo o carneiro Beatle, que chegou ali com apenas 6 meses de idade. Ele é o amigo inseparável de Palm Spring, uma égua um pouco “nervosa”, segundo o treinador. “É normal, nesses casos, colocar outro animal na baia do cavalo. Ele meio que adota o outro bicho e fica mais calmo”, explica Rodrigo.

O treinador Rodrigo Magalhães, com a égua puro-sangue Palm Spring e o carneiro Beatle. Foto: Tiago Queiroz/AE

Beatle veio substituir um primeiro carneiro que, em vez de amansar a égua, se tornou agressivo. Há pouco mais de meio ano, a amizade entre Palm Spring e o “tranquilão” Beatle vai de vento em popa, e a égua agora está muito mais calminha.

Mas essa não é a primeira história de amizade vivida na cocheira dos Magalhães. “Tivemos um cavalo chamado Zé de Ouro, que todos os dias recebia a visita de uma galinha do vizinho”, conta Rodrigo.

Testemunhas de todas essas histórias são os cavalariços, funcionários que cuidam da higiene e alimentação dos cavalos. Como a maioria das funções dentro do universo das corridas de cavalo, é uma atividade desenvolvida entre família, como no caso de Antonio Plácido Leite, que chegou a trabalhar com outros quatro irmãos no Jockey.

Em mais de 30 anos de trabalho, Antonio criou o ritual de colocar figas que madeira que ele mesmo faz na porta das baias dos cavalos que cuida. “Tem funcionado. Um dos que eu já cuidei, o Gene de Campeão, ganhou o grande prêmio de São Paulo”, conta. E o ritual é totalmente desinteressado, já que Antonio não aposta em cavalos.

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