Adalberto, 85

Vitor Hugo Brandalise

17 de agosto de 2011 | 23h57

Na esquina das ruas Plinio de Morais e Professor Paulino Longo, em Perdizes, zona oeste da capital, um senhor de boné branco chama a atenção pela maneira cuidadosa como cuida da lixeira de um parquinho, um espaço para recreação de crianças. Chave de fenda à mão, o professor e publicitário aposentado Adalberto Costa de Campos Bueno, quase 85 anos, está prendendo a tampa da lixeira num suporte de madeira. A escada ao lado espera sua vez para apoiar uma troca do letreiro que remetia ao Dia dos Pais. Desde 1969, quando construiu os primeiros brinquedos da “Adalbertolândia”, o mundo de fantasia erguido num terreno particular de 300 metros quadrados é feito dessa forma, manual e artesanalmente, uma lição de cuidado que realimenta o dia a dia do mentor do parquinho.

Nesta quarta-feira, dia 17, Adalberto fez uma pausa na manutenção do espaço para abrir o portão para a Expedição Metrópole. Durante a semana, ele aperta um parafuso aqui, prega uma placa acolá, cria uma decoração para uma data comemorativa que está por vir etc. No final de semana, abre as portas para a diversão das crianças do bairro – o parquinho tem um carrossel, pequenas trilhas e algumas “surpresas” escondidas em meio às arvores. Ao longo dos 42 anos, cerca de 6 mil crianças já devem ter passado pelo espaço, calcula o aposentado.

A entrada é, e sempre foi, de graça e o mentor da Adalbertolândia gosta de deixar isso claro a todos que o procuram. Nos princípios do parquinho, grafados numa tábua singela, mensagens de um irremediável cidadão “otimista”, como ele mesmo se define.

“Um pai disse que esse parquinho é carregado de energia positiva. Eu me recarrego dela. Por isso estou bem assim”, diz o aposentado, que comemora oito décadas e meia de vida no próximo domingo.

A Adalbertolândia - FOTO: ANDRÉ LESSA/AE