Um desembargador chamado Totó

Estadão

18 de outubro de 2010 | 14h29

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Por Vitor Hugo Brandalise

*Foto de Epitácio Pessoa/Agência Estado

Eram 14h30 de quarta-feira quando o desembargador Antonio Carlos Malheiros, de 59 anos, agachou e encarou a garota Alexandra, de 6, no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. “Você consegue ler o que está escrito aqui?”, ele perguntou, apontando o crachá, que balançava pendurado no avental colorido. “É Antonio…”, respondeu a menina, com voz tímida. “Sim, querida, é Antonio. Mas você vai me chamar diferente.” O magistrado, então, fez uma pausa teatral, tirou do bolso um nariz de palhaço e anunciou, sorrindo: “Vai me chamar de Totó”. A criança riu até se dobrar.

Antonio Carlos Malheiros, professor de três universidades, coordenador da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), presidente por dois mandatos da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo, coordenador nacional de campanha do Conselho Nacional de Justiça. E também, nos momentos de maior simplicidade – quando “realmente nos tornamos nós mesmos”, nas palavras dele próprio -, o Totó. “Não é simples, bonito? É natural, apelido que gosto e no qual me reconheço.”

Um carinhoso apelido que serve, principalmente, para se aproximar. Desde 1997, o desembargador é contador de histórias voluntário da Associação Viva e Deixe Viver, que treina leitores para crianças internadas em 87 hospitais do País. No caso de Malheiros, quem ouve a experiente voz todas as semanas são crianças do Emílio Ribas – a maioria, portadora de HIV.

Leia aqui o perfil completo do desembargador Antonio Carlos Malheiros, publicado na seção Paulistânia, no caderno Metrópole, em 17.10.2010.

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