Tinhorão, o Legendário

Estadão

16 Abril 2010 | 14h15

José Ramos Tinhorão, o famoso e polêmico crítico de MPB entre os anos 60 e 80 foi homenageado dia 13 de abril no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, com o lançamento de sua biografia-Tinhorão, o Legendário, (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo) de mais um livro seu, o vigésimo novo, A música popular que surge na era da revolução (Editora 34) e Crítica cheia de graça (Empório do Livro), que reúne vários de seus artigos. 

Em São Paulo, o lançamento da biografia escrita pela jornalista Elizabeth Lorenzotti será no dia 28 de abril, na Livraria da Vila da Rua Fradique Coutinho, 915, em Pinheiros. 

 O IMS recebe seu precioso acervo, em catalogação desde 2001, e vai abri-lo ao público no fim do ano. São cerca de 6,5 mil discos de 76 e 78 rpm, 6 mil discos de 33 rpm, fotos, filmes, scripts de rádio, cartazes, jornais, revistas, rolos de pianola, folhetos de cordel, press releases de gravadoras e uma biblioteca com mais de 14 mil obras especializadas na cultura popular urbana, tema central de toda sua obra.

Por suas contendas com o pessoal da Bossa Nova (que até hoje afirma ser tão brasileira quanto um carro, apenas montado no Brasil), ganhou muitos desafetos. Diz a lenda que Tom Jobim mantinha um vaso da planta tóxica tinhorão na porta de sua casa, onde fazia xixi sempre.

Tinhorão é apelido ganho na redação do extinto Diário Carioca, nos anos 50, quando foi contratado para fazer textos-legenda: daí o apelido de Legendário.

Sua biografia, da jornalista Elizabeth Lorenzotti, lembra que ele é personagem da peça Bonitinha mas ordinária, do amigo e colega de redação Nelson Rodrigues, que o retrata como um conquistador de moças com um carrinho velho. Na livro, há a reprodução do belo Ford esporte 1935, que o biografado fez questão que constasse, garantindo que era esse o automóvel que tinha na época.

De 13 até 16 de abril, o IMS/RJ mostrou um pouco dos biscoitos finos do acervo Tinhorão: os primeiro jornais e folhetos de modinha que se publicaram no Brasil, uma série de fotos raras e inéditas de compositores e cantores como Baiano, Getúlio Marinho, Pixinguinha, entre outros, além de fotos originais de Noel Rosa feitas em estúdio. Os visitantes também poderão conferir discos de samba anteriores ao famoso “Pelo telefone”, de Donga, o primeiro registro fonográfico de Carmen Miranda, “Não vá s’imbora”, e a mais rara gravação de Francisco Alves, “O pé de anjo”.

O livro também recorda o clima das antigas redações, povoadas por inesquecíveis nomes do jornalismo, com os quais conviveu, e fala sobre sua persistente dedicação à pesquisa, que nunca recebeu financiamento. Como acentua Janio de Freitas na contracapa, seu colega e amigo desde o Diário Carioca: “As contribuições de Tinhorão para a música vão além do historiador. Uma curiosidade: quem se encanta com Cartola, Nelson Cavaquinho, Bide e tantos outros, deve-o a Tinhorão, que os foi buscar no esquecimento ou no desconhecimento, feito sempre atribuído a outros”.

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