Planejar, investir e crescer

Estadão

17 de maio de 2010 | 13h33

Ser sede dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo pode melhorar a infraestrutura nas cidades. É preciso aproveitar e planejar corretamente os projetos para que os investimentos continuem a ser úteis depois dos eventos. As Olimpíadas de 2016 e a Copa do Mundo de 2014 no Brasil deveriam ser utilizadas como catalisadores do desenvolvimento nas cidades sedes de jogos e suas regiões metropolitanas.

O vice-prefeito de Londres, Richard Barnes, conta que apesar de desenvolvida, a capital inglesa também enfrenta problemas de falta de moradia, enormes congestionamentos nas ruas e a necessidade de ampliação do transporte público para comportar toda a demanda existente. “Vamos aproveitar a infraestrutura a ser criada para os Jogos Olímpicos de 2012 para a população. Também pleiteamos a Copa do Mundo de 2020, que pode trazer mais benfeitorias. Estamos criando estruturas permanentes que poderão ser usadas muito tempo depois dos jogos olímpicos”, prevê Barnes.

A vila olímpica vai se transformar em casas para a população carente. “Vamos dar subsídios para quem quiser comprar as casas e também para o aluguel. Estamos estruturando os trens para ajudar a atravessar a cidade congestionada. A prefeitura faz lobby para que o governo central continue a investir em Londres. O desenvolvimento precisa acontecer também no subúrbio, com economia sustentável onde grande parte da população vive e precisa trabalhar”, observa Barnes.

O diretor da Agência de Desenvolvimento da capital inglesa, Peter Bishop, explica que as Olimpíadas de 2012 em Londres vão ajudar na revitalização de áreas pobres, como já está sendo feito neste momento com a região de East London, que vai sediar os jogos.

Algumas das instalações serão usadas sem modificações, para esportes. Bishop citou especialmente o Estádio Olímpico, de 80 mil lugares. Mas após as Olimpíadas, o espaço será adequado para uso local, sendo reduzido para 55 mil lugares.

Os investimentos públicos destinados à infraestrutura das Olimpíadas são da ordem de 5,3 bilhões de libras. Mas a cidade tem muito a ganhar com isso, segundo Bishop, e 1,7 bilhão de libras estão sendo destinadas à recuperação e reforma urbana de uma das áreas do East London, o Lower Lea Valley.

INOVAÇÃO

Como fazer para superar barreiras que parecem intransponíveis para o desenvolvimento das cidades? O vice-prefeito de Lyon, na França, Michel Daclin, disse que é preciso oferecer um ambiente que leve à criatividade. Ele acrescenta que o processo de busca por soluções inovadoras nas cidades passa obrigatoriamente pelo cuidado com a educação e a mobilização de toda a sociedade local.

“A inovação cobre muitos domínios e a educação tem papel muito importante nisso. Se uma área metropolitana quiser ter sustentabilidade, ser criativa e inovadora, precisa dar condições para que isso aconteça e fazer com que todos participem desse processo. Também se deve incentivar a diversidade, a interdisciplinaridade e novas formas de expressão”, afirmou.

Para o organizador da Conferência Internacional de Cidades Inovadoras 2010, Rodrigo da Rocha Loures, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), é preciso programas públicos não conservadores. “As pessoas buscam o bem estar que as cidades não oferecem. E quem oferecer isso vai receber mais investimento”, destacou ao apontar ações como as da prefeitura de Chattanooga, nos Estados Unidos.

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