Igreja quer transportar estudantes da rede municipal

Estadão

15 Setembro 2010 | 18h36

A Igreja Adventista do Sétimo Dia pretende diversificar um pouco sua área de atuação e quer realizar serviços – não religiosos – para a Prefeitura de São Paulo, a fim de obter mais fontes de renda. A entidade está participando da licitação aberta pela Secretaria dos Transportes para a contratação de vans e outros veículos para o Transporte Escolar Gratuito (TEG).

A participação da entidade na concorrência não é nada ilegal, mas desperta curiosidade, já que esses serviços são realizados normalmente por empresas especializadas ou cooperativas. É incomum igrejas disputarem licitação, ainda mais para prestar serviços que não tenham relação com a sua atuação principal.

Mas o primeiro obstáculo enfrentado é justamente consequência da crença dos seguidores da Igreja. Isso porque a abertura dos envelopes será em um sábado. A Igreja então enviou um pedido para a Secretaria para que o horário fosse prorrogado para as 19 horas “por motivos religiosos”. A resposta com a aceitação do pedido foi publicada na edição de hoje do Diário Oficial da Cidade.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia em São Paulo foi procurada na manhã de hoje para explicar por que pretende realizar esses serviços para a Prefeitura e se possui uma frota de vans. A a assessoria jurídica e de comunicação da entidade informou que a unidade central é quem responde sobre esses assuntos, mas está localizada em Artur Nogueira, no interior paulista, onde hoje é feriado. Por isso não iria se manifestar.

A colaboração dessa reportagem é do repórter Renato Machado.

Atualização em 16/9, às 16 horas:

A Igreja Adventista do Sétimo Dia informou na manhã de hoje que não tem interesse em disputar licitações promovidas pela Prefeitura e que seu nome está sendo usado indevidamente. A entidade aparece como participante das concorrências 001 e 002 da Secretaria dos Transportes para a contratação dos serviços de Transporte Escolar Gratuito (TEG).

“Nossso único negócio é a comercialização de livros evangélicos. Não temos frota para realizar esse serviço e ele não está relacionado com a nossa atividade eclesiática”, diz o diretor jurídico da Igreja Alcides Coimbra. Todas as três unidades regionais paulistanas da entidade foram contatadas, mas nenhuma dela é a responsável por participar da licitação.

Segundo Coimbra, a entidade então entrou em contato com a Prefeitura para identificar quem está utilizando o nome da Igreja nas licitações. “E vamos processá-la com certeza, assim que descobrirmos quem é, até porque está manchando o nome da Igreja.”

Os indícios apontam que é uma pessoa da própria Igreja que está participando das licitações. Isso porque foi publicado no Diário Oficial da Cidade de ontem que o representante solicitou o prazo para a entrega dos envelopes fosse prorrogado para depois das 19 horas por “motivos religiosos”. Isso porque a data marcada será um sábado, dia em que os seguidores da Igreja Adventista do Sétimo Dia reservam para fins religiosos.