Encontradas ossadas em vala clandestina no Cemitério de Vila Formosa

Estadão

30 de novembro de 2010 | 18h54

Restos mortais de seres humanos foram encontrados dentro de um ossário clandestino debaixo de um canteiro no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo. Equipe formada por representantes do Ministério Público Federal em São Paulo, da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), ligada à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal e do Instituto Médico Legal do Estado de São Paulo estão procurando restos mortais de pessoas desaparecidas durante o regime militar (veja post anterior).

Até a profundidade em que o material foi vasculhado, os peritos visualizaram restos mortais no interior de sacos. Na tarde desta terça-feira, foi feita a remoção de 16 ossadas, que seriam datadas da década de 1980. Segundo o procuradora da República Eugênia Augusta Gonzaga e o procurador regional da República Marlon Alberto Weichert, autores de uma ação civil pública que pede que sejam responsabilizados autoridades públicas que autorizaram a ocultação de cadáveres de opositores mortos pelo regime durante a ditadura militar (1964-1985), os trabalhos dos peritos prosseguirão até sexta-feira.

Após o trabalho de localização, serão selecionadas ossadas para pesquisa antropológica, nas quais fotos, dados médicos e dentários das vítimas serão cruzados com as características das ossadas. Essa primeira fase será realizada em conjunto pelo IML e o INC, que extrairá dos ossos o material genético para a segunda fase, na qual serão confrontados com o material colhido dos familiares das vítimas e que compõe o banco de DNA. Mais de 450 pessoas foram mortas ou desapareceram durante o período do último regime militar no Brasil, entre 1964 e 1985. Os trabalhos na Vila Formosa visam localizar os restos de aproximadamente dez desaparecidos políticos, como Virgílio Gomes da Silva, o Jonas.

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