Brasil joga na 3º divisão do saneamento básico

Estadão

19 Março 2010 | 15h58

O Brasil está no terceiro grupo do ranking de países latinoamericanos no cumprimento das metas do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) na área de saneamento. Isso inclui saúde, equidade de gênero, economia e ambiente. Esses compromissos têm como meta que cada país consiga reduzir em 50% o déficit da área urbana na coleta de esgoto até 2015.
Dez dos 12 países estão cumprindo as metas traçadas, mas precisam manter os níveis atuais de investimentos. “Paraguai e Bolívia estão com dificuldades em alcançar a cobertura de água e esgoto”, explica Marcos Thadeu Abicalil, especialista sênior em saneamento do Banco Mundial no Brasil. A instituição deve investir US$ 2,6 bilhões na América Latina. Os governos latinoamericanos estão apresentando informes sobre o cumprimento das metas na 2ª Conferência Latinoamericana de Saneamento, em Foz do Iguaçu, Paraná.
Segundo análise de Abicalil, os países podem ser divididos em quatro grupos no que se refere aos investimentos serviços no saneamento básico. “O Uruguai é um bom exemplo do primeiro grupo. Cada cidadão uruguaio tem acesso à água potável e esgoto tratado”, comentou. Nessa divisão, o Chile e a Argentina estariam no segundo grupo, com a vantagem de não ter esgoto a céu aberto. Já o Brasil e a Colômbia estão no terceiro grupo, formado por países que estão caminhando rapidamente para o cumprimento do ODM. “O Brasil ainda tem muito que fazer, pois nosso acesso às redes de esgoto ainda é menor do que 80%”, destacou.
No quarto grupo aparecem o Paraguai e a Bolívia com patamares inferiores. Entre os problemas apresentados pelos paraguaios se destacam a falta de implementação de políticas e estratégias setoriais, carência de fundos e fontes de financiamento e um marco regulatório. No ano passado o Ministério de Obras Públicas e Comunicação criou a Unidade dos Serviços de Água Potável e Saneamento Sanitário (USAPAS) para organizar o setor. Um dos desafios do país é aumentar em sete vezes os níveis de investimentos anuais.
Um bom exemplo vem do Peru, segundo o Diretor Nacional de Saneamento Juan Carlos Parede que destacou o programa Água para Todos. “Nós já investimos US$ 1,3 bilhão até agora e deveremos investir mais US$ 4,4 bilhões para cumprir a meta do governo de atender 80% dos 27 milhões de peruanos”, destacou.
De acordo com o Secretário Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Leodegar Tiscoski para que o Brasil consiga ter 100% de água tratada até 2015 é preciso estruturação, investimentos em recursos e na educação. O país ainda carece de conhecimento técnico sobre controle de enchentes pelos planejadores urbanos e controle de zoneamento.

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