Ainda gripe

Estadão

06 de agosto de 2009 | 12h17

Para evitar a influenza todo indivíduo deve fugir das aglomerações, principalmente à noite; não frequentar teatros, cinemas; não fazer visitas e tomar cuidados higiênicos com a mucosa naso-faringeana que, muito provavelmente, é a porta de entrada dos germens. Tais cuidados devem ser feitos por meios brandos; não devem ser usados desinfetantes enérgicos ou aplicações mecânicas que possam irritar a mucosa naso-faringeana. As inalações de vaselina mentolada, os gargarejos com água e sal, com água iodada, com ácido cítrico, tanino e infusões de plantas contendo tanino, como folhas de goiabeira e outras, são aconselháveis. Como preventivo, internamente, pode-se usar qualquer sal de quinino nas doses de 0,25 a 0,50 centigramos por dia, devendo usá-los de preferência no momento das refeições para impedir os zumbidos nos ouvidos, os tremores etc. Estas doses, salvo em casos muito excepcionais, não têm o menor inconveniente. Deve-se evitar toda a fadiga ou excesso físico. Todo doente de gripe, aos primeiros sintomas, deve procurar o leito, pois o repouso auxilia a cura e diminue não só as probabilidades de complicações, como de contágio. Os doentes não devem ser visitados, pois a moléstia se transmite de indivíduo para indivíduo, por contágio direto.
As pessoas idosas devem ser extremadas nestas medidas, não devendo, nem mesmo, receber visitas de simples cortesia, pois a moléstia é nelas mais grave. Os doentes recolhidos a hospitais e casas de saúde não devem ser visitados; as informações poderão ser dadas na portaria ou pelo telefone.
O governo vai determinar o fechamento das escolas noturnas e solicitar providências junto aos poderes eclesiásticos para que os ofícios religiosos cessem à noite. À prefeitura será pedido o fechamento da Exposição [Industrial] à noite.
O texto acima, tão atual, foi publicado no Estadão, no dia 16 de outubro de 1918, em razão da epidemia da chamada gripe espanhola. Integra tese defendida por Liane Maria Bertucci Martins, doutora em História Social pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professora de História da Educação na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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