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Vitrine na cidade

Edison Veiga

24 de agosto de 2010 | 17h13

“Um dos mais importantes espaços dedicados às artes plásticas do Brasil, a Pinacoteca do Estado abriu ao público em novembro de 1905 com 26 obras transferidas do Museu Paulista. Para receber a nova galeria, parte do prédio do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, que ministrava cursos de artes aplicadas, foi adaptado às condições museológicas indispensáveis à exposição das pinturas reunidas em três salas do segundo andar convertidas num só salão. Para que a luz não incidisse diretamente sobre os quadros pendurados nas paredes de um vermelho desbotado, fecharam-se as nove janelas existentes. Em lugar delas, rasgou-se no teto uma claraboia cuja claridade podia ser regulada por um plafond de tecido semitransparente.

Após abrigar a 1ª Exposição de Belas Artes, a Pinacoteca seria regulamentada por iniciativa do deputado José de Freitas Valle pelo projeto de Lei nº 1.271, de 21 de novembro de 1911. No ano seguinte, o recém-criado Pensionato Artístico, que concedia bolsas de estudos na Europa a músicos e artistas plásticos, determinava que eles deveriam depositar um trabalho original de sua autoria no Museu. Ainda em 1912, era publicado o primeiro catálogo da Pinacoteca, com apenas seis páginas. Acompanhando o crescimento do acervo, que de duas mil obras registradas em 1969 saltaria para mais de seis mil em 2006, o catálogo de 1998 tinha 448 páginas.

A Pinacoteca enfrentaria uma série de contratempos, incluindo mudança de prédio e dispersão do acervo em 1932, quando seu edifício foi requisitado na Revolução Constitucionalista para o Batalhão Militar Santos Dumont. Reunida, sua coleção seria instalada na antiga sede da Imprensa Oficial do Estado, à Rua Onze de Agosto, 39, com um acervo prestes a contabilizar 500 obras. Apenas em 1947 o Museu retornaria ao antigo edifício da Avenida Tiradentes, agora sede própria. Mas ainda sofreria uma série de alterações, culminando com a grande reforma iniciada em 1994 e concluída quatro anos depois. Por ocasião do primeiro centenário, comemorado com diversas exposições de grande porta, ultrapassou a marca dos 400 mil visitantes.”

Excerto do livro Musa Impassível, de Marcia Camargos (Imprensa Oficial, 2007)

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