Viajar o mundo com um bebê: possível, viável e prazeroso
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Viajar o mundo com um bebê: possível, viável e prazeroso

Os bastidores de uma jornada pelos países nórdicos, cuja história foi recentemente publicada pelo caderno 'Viagem'

Edison Veiga

23 de abril de 2016 | 19h09

chico

Já tem uns dias que a matéria completa foi publicada no Viagem, mas vou aproveitar que o site de turismo do Estadão acaba de ser completamente reformulado para comentar um pouco por aqui sobre essa questão que apavora muitos pais de primeira viagem – no caso de paternidade e maternidade – e de muitas e muitas viagens no passaporte.

Viajar com um bebê é possível. É viável. É prazeroso. É incrível.

Foto: Edison Veiga/ Estadão

Foto: Edison Veiga/ Estadão

“Ele só vai atrapalhar” e “mas por que levar, se ele não vai se lembrar de nada?” são os comentários mais comuns que ouvimos de parentes e amigos próximos quando comentamos que, sim, viajamos para o exterior, nas férias, com um bebê.

A decisão, no caso, vem de antes do nascimento de Francisco, o Chico. Vem da convicção de que viajar é preciso, sempre, porque é o melhor jeito de aprender e conhecer. Mas, com ele, a decisão de manter o costume ganha alguns argumentos a mais: o fato de que é o único mês do ano, nossas férias, em que podemos, mãe e pai, passar 24h por dia com ele; a crença de que ele, mesmo que não se lembre conscientemente, está tendo vivências que serão incorporadas ao cidadão que vai se tornar; e o barato que é, obviamente, descobrir o mundo mostrando coisas novas ao moleque.

Que não atrapalha, em resumo. Muda um pouco a viagem – mas se exclui a possibilidade de um ou outro passeio, acaba abrindo a oportunidade de conhecer coisas que não estavam no roteiro.

Tudo isso para dizer que, ao escolher nosso roteiro de férias, não pensamos em uma viagem para crianças só porque ele vai junto. É uma viagem para adultos, mas com uma criança a tiracolo. Este não é um relato de um passeio ao mundo maravilhoso da Disney ou algo do tipo. São nossas férias. Férias de quem gosta de viajar, acima de tudo.

Meu filho tinha 11 meses de idade na primeira viagem internacional e, na segunda, 1 ano e 9 meses. Da primeira vez, em 2013, escolhemos Montevidéu e arredores. Nunca havíamos ido ao Uruguai e pensamos que seria bom estar perto de casa – se tudo desse errado. O saldo foi tão positivo, tão acima do que planejávamos, que Chico carimbou seu passaporte para as férias seguintes: países nórdicos, aí fomos nós.

Foto: Mariana Veiga/ Arquivo Pessoal

Foto: Mariana Veiga/ Arquivo Pessoal

Planejamento. Algumas coisas mudam, é verdade. A começar pela preparação. Viajar com um bebê requer uma visita prévia ao pediatra. Paula Woo Guglielmetti, que acompanha o Chico desde que ele nasceu, nunca nos desmotivou. Mas, antes de uma viagem, ela faz uma receita completa, com todos os medicamentos que devemos carregar para pequenas emergências – febre, náuseas, vômito… E se prontifica a nos ajudar pelo WhatsApp, caso necessário.

É importante também levar alguns pequenos brinquedos com os quais ele já esteja habituado – neste caso, ao menos no voo, esqueça os mais barulhentos, ou ainda vai comprar briga com todos os outros passageiros. Inventei uma brincadeira que deu muito certo: coloquei várias bexigas vazias na mala e, a cada dia, quando chegávamos ao hotel, enchia uma. Virou um ritual divertido que, ao mesmo tempo, dava ao Chico uma sensação de familiaridade, de continuidade. No fundo, era a única coisa que se repetia todos os dias.

Foto: Edison Veiga/ Estadão

Foto: Edison Veiga/ Estadão

Quanto à alimentação, também tomamos alguns cuidados. Levamos o leite em pó a que ele estava mais habituado – quando acabou, mais para o fim da viagem, apelamos para um local. Para facilitar a alimentação dele nos dias mais corridos, ainda nos precavemos com um pequeno estoque daquelas papinhas industrializados – que, no dia a dia, não costumamos dar; mas fora de casa muitas vezes quebram o galho.

Nossos voos com o Chico foram tranquilos – neste tour pelos países nórdicos, entre uma parada e outra, foram nove trechos. Claro que, nas jornadas mais longas, é natural que ele fique um tanto inquieto em alguns momentos – mas, convenhamos, até um adulto se entedia quando passa 14 horas a bordo. Voamos de Lufthansa, e vale registrar que tanto a tripulação quanto a companhia estão muito bem preparadas para bebês a bordo. Nem bem nos assentamos, um comissário ofereceu a ele livrinhos e um bonequinho de brinquedo. No tempo todo em que ele esteve acordado, era mimado pela tripulação. E, durante o voo, nem precisamos recorrer ao leite em pó – já que os próprios comissários se ofereceram para encher a mamadeira dele com leite convencional.

Foto: Edison Veiga/ Estadão

Foto: Edison Veiga/ Estadão

O trecho que fizemos de trem – entre Oslo e Bergen – foi mais tranquilo ainda. No momento de comprar os tickets, on-line, ainda no Brasil, descobrimos que só pelo fato de estarmos viajando com um bebê, tínhamos direito a ficar em um vagão-família – detalhe: sem custo adicional. A estrutura contava com um mini-playground (foto acima), onde Chico e outras crianças de várias partes do mundo brincaram por horas. Uma maravilha.

Mas, apesar de importantes, os bastidores são apenas os bastidores. A aventura em si, com toda a diversão, pode ser conferida na matéria publicada pelo Viagem – e que, com alegria, vejo que está em destaque no site reformulado que acaba de ser inaugurado.

Agora já estamos contando os dias para o próximo passeio: de Moscou a Pequim, de trem, com umas sete ou oito cidades a serem desbravadas pelo caminho. Porque o mundo é isso mesmo – grande para a vida, mas pequeno para os sonhos.

Foto: Edison Veiga/ Estadão

Foto: Edison Veiga/ Estadão

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