Testemunha da História de SP: um espectador especial do primeiro jogo da Copa de 2014
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Testemunha da História de SP: um espectador especial do primeiro jogo da Copa de 2014

Naquele 12 de junho, ninguém conhecia tão bem o Itaquerão quanto Barba

Edison Veiga

18 Fevereiro 2015 | 07h25

Foto: Hélvio Romero/ Estadão

Foto: Hélvio Romero/ Estadão


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Naquele histórico 12 de junho de 2014, poucos conheciam tão bem a Arena Corinthians, popularmente chamada de Itaquerão, quanto Severino Santos da Silva, o Barba, pernambucano de 44 anos, corintiano desde criança, morador de São Miguel Paulista, extremo leste paulistano.

Era a esperada abertura da Copa do Mundo e, em campo, a seleção brasileira inaugurava o torneio enfrentando o time da Croácia. Na moderna arquibancada, entre os 62.103 torcedores estava Barba – um dos cerca de 2 mil operários que construíram o estádio do Corinthians. “Trabalhei aqui desde o primeiro dia das obras, em 2011”, conta ele, que ganhou o ingresso para ver o jogo, assim como todos os operários das arenas – as partidas foram sorteadas entre eles.

Operário ganhou ingresso para ver a abertura da Copa.

“Eu nunca antes tinha visto nenhum jogo do Brasil em um estádio. Chorei muito quando a bola começou a rolar”, admite. “Ver a casa cheia deu um gostinho especial para mim. Afinal, eu vi o estádio nascer, a grama ser plantada, tudo ser construído.” Antes, de estádio Barba só conhecia o Pacaembu – onde tinha ido ver alguns jogos do seu Corinthians. “A primeira vez que pisei lá eu tinha apenas 12 anos e fui com minha mãe, Maria Virgínia, também corintiana, e dois de meus oito irmãos”, recorda-se.

Tirando a parte futebolística – porque ninguém aqui quer ficar lembrando daqueles famigerados 7 a 1, cujos gols até hoje ecoam em nossos mais tristes pesadelos –, o Mundial no Brasil foi um sucesso, muito superior às previsões pessimistas que circulavam de “imagina na Copa” em “imagina na Copa” por aí. E São Paulo, quem diria, de patinho feio entre as cidades-sede acabou se revelando um badalado destino turístico.

A Vila Madalena, tradicional bairro boêmio da zona oeste, se tornou ponto de encontro de torcedores brasileiros e estrangeiros, a cada jogo – e, principalmente, após as partidas. Parecia um carnaval em pleno meio do ano. Carros nem sequer conseguiam transitar pelas ruas principais da região e as festas invadiam a madrugada. O pico de gente na Vila foi no dia 4 de julho, quando 70 mil pessoas assistiram de lá à partida das quartas de final entre Brasil e Colômbia. No centro, o Vale do Anhangabaú também lotou todos os dias, com o palco oficial da Fifa – a chamada Fan Fest.

Quase 500 mil turistas passaram por SP.

De acordo com balanço divulgado pela São Paulo Turismo (SPTuris), 495.859 turistas passaram pela capital durante os 30 dias do evento futebolístico. Desse total, 299.322 eram brasileiros e 196.547, estrangeiros – um terço oriundo da Argentina. O brasileiro gastou em média R$ 2,2 mil, enquanto o estrangeiro, R$ 4,8 mil. A Prefeitura estima ter desembolsado de R$ 30 milhões a R$ 40 milhões com operações relacionadas ao evento – sem considerar, é claro, investimentos em infraestrutura. Ao mesmo tempo, a arrecadação foi de R$ 1 bilhão.