Testemunha da História de SP: o anfitrião do papa
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Testemunha da História de SP: o anfitrião do papa

O monge beneditino Gabriel Iróffy atuou nos preparativos para a hospedagem de João Paulo II, em 1980

Edison Veiga

26 de fevereiro de 2015 | 07h21

Foto: Daniel Teixeira/ Estadão

Foto: Daniel Teixeira/ Estadão


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A plaquinha denuncia a história. Alameda João Paulo II é o nome dado pelos monges da Abadia São Geraldo, no Morumbi, ao trajeto de cerca de 100 metros que liga a quadra esportiva do Colégio Santo Américo – mantido pela instituição religiosa – à entrada do mosteiro. Por ali caminhou o papa em 3 de julho de 1980, quando desceu do helicóptero a caminho do quarto a ele reservado, naquela que foi a primeira estadia de um sumo pontífice da Igreja Católica a São Paulo.

Abadia São Geraldo desbancou o Mosteiro de São Bento

“Para nós, foi dignificante sermos anfitriões do papa”, conta o monge Gabriel Iróffy, de 87 anos, reitor emérito do Colégio Santo Américo e um dos dois remanescentes do grupo de 12 religiosos que vivia naquele mosteiro em 1980. Os preparativos começaram alguns meses antes, quando por razões de segurança, a Abadia São Geraldo, então com apenas 30 anos de vida em São Paulo, acabou desbancando o favorito Mosteiro de São Bento, inaugurado em 1598 no centro da cidade, para hospedar João Paulo II.

“Tanto as autoridades militares quanto as religiosas concluíram que, por razões de segurança, naquela época, estávamos em uma localização mais propícia”, explica ele. “Mas me recordo que convidamos todos os monges do São Bento para participar dos eventos aqui.”

Meses antes da chegada do papa, o mosteiro recebeu uma comitiva do Vaticano. “Era a ocasião para eles conferirem o espaço e, eventualmente, fazerem alguns pedidos em nome do papa. João Paulo II, entretanto, solicitou apenas que tudo fosse feito da maneira mais simples possível”, recorda-se. Iróffy acompanhou o grupo a um encontro diplomático com autoridades do Exército, próximo ao Parque do Ibirapuera. “Ficou definido, por exemplo, que o quarteirão todo seria fechado, quando o papa aqui estivesse, por razões de segurança”, conta.

Durante a estadia, o papa teve encontros com crianças – alunos do Colégio Santo Américo e outras escolhidas de todas as paróquias de São Paulo –, religiosos de várias vertentes e intelectuais. “Deste último, protegido por d. Paulo Evaristo Arns (então cardeal-arcebispo e hoje arcebispo emérito de São Paulo), participou um homem que pode ser muita coisa, menos intelectual”, diz Iróffy. “Chamava-se Luiz Inácio (Lula da Silva, na época, destacado líder sindical)”.