Testemunha da História de SP: ele tocou no 1º evento da 1ª Virada Cultural
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Testemunha da História de SP: ele tocou no 1º evento da 1ª Virada Cultural

João Paulo Moreira é trombonistada Orquestra Experimental de Repertório, grupo do Teatro Municipal de São Paulo

Edison Veiga

23 de março de 2015 | 07h19

Foto: Daniel Teixeira/ Estadão

Foto: Daniel Teixeira/ Estadão


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Trombonista da Orquestra Experimental de Repertório, grupo do Teatro Municipal de São Paulo, desde 1991, João Paulo Moreira não imaginava que sua apresentação do dia 19 de novembro de 2005 entraria para a história da cidade. A atração, no Parque da Independência, em frente ao Museu do Ipiranga – como é conhecido o Museu Paulista – abriu a primeira edição da Virada Cultural. Dez anos mais tarde, o evento está consolidado no calendário cultural paulistano.

“Era uma novidade e, na realidade, nós não tínhamos a real dimensão do que essa iniciativa iria alcançar com o passar do tempo”, comenta o músico, hoje com 50 anos. “Recordo-me que era um visual lindo, do palco podíamos ver o Museu do Ipiranga lá na frente, era lindo, lindo, lindo.”

Ele foi ao Ipiranga de carona

Moreira conta que naquele dia foi ao Parque da Independência de carona com um amigo – ele mora em Arujá, município da Região Metropolitana de São Paulo. Chegou por volta das 11h e, juntamente com os outros 99 músicos da orquestra, fez a passagem de som de praxe. “Também tínhamos de equilibrar microfones, ver como as coisas funcionariam em um evento do tipo, ao ar livre”, explica. Ao fundo do palco, tendas montadas pela organização do evento forneceram lanches aos artistas – e este foi o almoço do trombonista.

“Naquela edição, confesso que não assisti a outros eventos da Virada. Mas nos anos seguintes, sim”, conta Moreira. “Acho a iniciativa sensacional, como forma de democratização da arte, da cultura. Em minha opinião, nada até hoje mexeu tanto com a cidade de São Paulo. Nada, nem Copa do Mundo.”

O evento nasceu inspirado na “nuit blanche” francesa, que é fundamentada pela inversão de expectativas – museus abrindo de madrugada, shows durante o dia, por exemplo. Na versão paulistana, as mais de 24 horas de atrações se espalham pela cidade, principalmente na região central – e a ideia é que o público se aproprie dos espaços por meio de todas as manifestações artísticas, sem cobrança de ingresso. “É um barato, tanto pelas experiências – houve uma edição que nós, da orquestra, tocamos com o grupo (de rock) Sepultura – quanto pelo público. Pelas roupas, você pode imaginar para que tipo de evento cada pessoa vai”, diz Moreira.