Testemunha da História de SP: ela viu a ponte aérea nascer em Congonhas
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Testemunha da História de SP: ela viu a ponte aérea nascer em Congonhas

A vida de Cecília Flório Moser está ligada ao aeroporto paulistano

Edison Veiga

20 de fevereiro de 2015 | 07h14

SP EU ESTIVE LÁ ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO
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Foi com os pés no chão que Cecília Flório Moser viu a ponte aérea Rio-São Paulo nascer e aumentar exponencialmente o movimento do Aeroporto de Congonhas. Ela tinha 8 anos em 5 de julho de 1959, quando um acordo firmado entre as companhias Varig, Vasp e Cruzeiro do Sul passou a oferecer voos de meia em meia hora entre Congonhas e o carioca Santos Dumont – hoje há opções em média a cada 10 minutos, das 6h30 até por volta das 22h.

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“Eu vivia no aeroporto, mas nunca tinha andado de avião”, conta ela, hoje professora de português aposentada. Explica-se: seu pai, Antonio Florio, trabalhava na seção de pintura e manutenção da Vasp – e, depois, da Real Transportes Aéreos – e, todo orgulhoso, costumava levar a filha para passear em Congonhas. “Morávamos na (Rua) Vieira de Moraes, então vínhamos a pé. De casa, conseguíamos ouvir os roncos dos motores que estavam na manutenção. O bairro era ‘periferia’, eu vi nascer e crescer a região. A pista era de terra, lembro-me bem”, diz. As idas e vindas ao aeroporto eram parte da rotina da menina, que andava por ali pelo menos uma vez por semana.

Na adolescência, encontrou ídolos no aeroporto.

“Vi muita coisa. Recordo-me da chegada da Seleção Brasileira campeã da Copa de 1958. Uma multidão veio esperar os jogadores e eu estava no cangote de meu pai. O mesmo aconteceu quatro anos mais tarde, quando o Brasil foi bicampeão”, narra. “Também ficava atenta quando meus ídolos desembarcavam em Congonhas. Vi Roberto e Erasmo Carlos, Paul Anka, Neil Sedaka e vários outros artistas.”

A paixão por aviões não se restringia a isso. Cecília conta que a mobília de sua casa era uma extensão do mundo da aviação. “As poltronas da sala, durante muito tempo, eram assentos de avião – que meu pai conseguia com as companhias quando elas decidiam substituir o estofamento das aeronaves”, afirma.

Voar mesmo, entretanto, demorou para acontecer. Foi só na lua de mel, aos 24 anos, quando ela foi passear em Porto Alegre. Partindo de Congonhas, é claro. “Hoje, voo com mais frequência, principalmente para visitar meu filho (o mais velho dos três que tem), que mora em Brasília”, exemplifica.

O filho, aliás, trabalha com aviação. Engenheiro, tornou-se gerente de operações aeronáuticas e aeroportuárias da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). E é casado com uma gerente técnico de tarifas aeroportuárias, da mesma agência.

Não se tratam dos únicos exemplos da família de Cecília a enveredarem pela aviação. Um sobrinho tornou-se de piloto e um primo hoje trabalha na área administrativa de uma companhia aérea.