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Taquarituba: o luto vira luta

Edison Veiga

26 de setembro de 2013 | 20h49

Aos poucos, Taquarituba vai trocando o luto pela luta. A luta pela reconstrução. A luta pela superação. A luta para voltar a ser como antes.

Antes é um tempo que ficou para trás no último domingo. Tempo em que toda vez que eu explicava a alguém minhas origens, precisava dizer que Taquarituba é uma bela cidadezinha na região sudoeste do Estado, trezentos e tantos quilômetros de São Paulo. Tempo em que já estava acostumado com o desconhecimento de quase todos por minha cidade natal – e confesso que gostava disso, pois era como ter um cantinho meu, um passado meu, um refúgio na memória compartilhado só com os vinte e tantos mil taquaritubenses e alguns outros milhares de forasteiros, como eu, espalhados pelo mundo.

Desde domingo, eu sou daquela cidade destruída pelo tornado. E é com uma dor horrível, indescritível, que concordo com a cabeça quando alguém menciona a fatalidade. Em seguida, vem a próxima pergunta. E digo que, sim, afortunadamente, está tudo bem com minha família. Mas a felicidade não aparece. Ficou em algum lugar no antes. No antes de domingo.

Mas eu acredito no depois. Tenho de acreditar. E sei que essa crença é compartilhada por todos os meus conterrâneos. Não será no próximo domingo, nem no outro. Não será no mês que vem. Não sei quando será. Mas quando os taquaritubenses entenderam que o luto virou luta, não deu mais para não acreditar no depois. Que virá. E Taquarituba, que nunca deixou de ser bela, voltará a ser uma cidade bem-arrumada, pronta para um baile – daqueles bem chiques, dos bons tempos do CRT.

O tornado, então, vai ter se tornado. Tornado apenas cicatriz.

> Para ajudar na reconstrução da cidade.