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Boris Fausto, por Augusto de Campos

Edison Veiga

12 Dezembro 2010 | 06h10

Por Augusto de Campos*

Boris e eu fomos colegas de turma do antigo “clássico” (Ensino Médio) no Colégio de São Bento. Ele era ótimo aluno. Inteligente e brilhante, revelou-nos o poeta Carlos Drummond de Andrade, a mim e a Haroldo.

Formávamos um trio fantástico, ele, Julio Cesar do Prado Leite e eu. Parecia um curso de pós-graduação, ao menos em número, porque éramos pouco mais de 10 alunos, enquanto havia 50 no curso “científico”. Havia um jornal literário, criado no 2º ano, por Haroldo e Rubens Paiva. Quando eles foram para os cursos universitários, passaram a bola para nós.

No nosso primeiro número, Boris escreveu o texto principal, que começava com um título provocador: ME APRESENTANDO. A rebeldia pronominal escandalizou os professores de português e os dirigentes do colégio.

Boris era o melhor aluno dana aula de Filosofia, de que já tinha um conhecimento apreciável: simplesmente, sabia mais do que o professor. Transferira-se do Mackenzie e tinha pouca convivência com o latim.

Eu, que passara meio ano no curso “cientifico”, mas pouco sabia de física, química e matemática, reinava, no “clássico”, nessas matérias, de que ninguém sabia nada. E, claro, também no latim que, no São Bento, se aprendia desde os primeiros anos do nível Fundamental.

Fizemos, juntos, o vestibular para a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Depois, o concurso para o cargo de Procurador do Estado: 1500 candidatos inscritos, disputando 40 vagas. Boris foi o primeiro colocado e eu passei em 4º. Tive as melhores notas em Direito Civil e Administrativo, que conhecia bem, mas perdi longe para ele na prova de Direito Processual, do qual eu pouco entendia: não atuava em escritórios de advocacia e não tinha nenhuma vivência dessa matéria.

A vida nos levou para caminhos diferentes, ele para a História, eu para a poesia. Mas gosto de acompanhar na TV as suas intervenções nas discussões sobre questões de política nacional e internacional. Admiro sempre a lucidez intelectual e a clareza com que a expressa.

Quanto à poesia, estivemos juntos, Décio, Haroldo, ele e eu, além de Fernando Henrique Cardoso, na REVISTA DOS NOVÍSSIMOS (1948). Posso assegurar que Boris era um ótimo poeta.

Estou dizendo isso, sem ter lido o segundo volume de suas memórias. Do primeiro gostei muito, embora o meu amigo tivesse exagerado os meus talentos de latinista. Ovídio, ainda hoje, só com textos intermediários e notas dos especialistas – aquelas que Haroldo, mais adiante colega de Boris na consultoria jurídica da USP, gostava de chamar de “notúnculas embasbacantes”…

* O poeta Augusto de Campos escreveu sobre o historiador Boris Fausto a convite deste blogueiro