“Se houver algum desvirtuamento, eu vou mandar demolir”, avisa neto do artista que fez o Obelisco do Ibirapuera
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“Se houver algum desvirtuamento, eu vou mandar demolir”, avisa neto do artista que fez o Obelisco do Ibirapuera

Edison Veiga

07 Setembro 2014 | 00h04

Foto: Rafael Arbex/ Estadão

Fiammetta Emendabili, 79 anos, e Paolo Emendabili Souza Barros de Carvalhosa, 58 anos. Respectivamente, filha e neto do artista Galileo Emendabili (1898-1974), autor do conjunto artístico e arquitetônico Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 1932. Ela, curadora da obra do pai. Ambos advogados. Com a proximidade da reabertura do monumento, eles receberam a reportagem do Estado na última quarta. Confira trechos da entrevista:

Qual a expectativa dos senhores para a reabertura do Obelisco, 12 anos depois?

Paolo: Tivemos vários atritos durante esses anos, porque queríamos que a obra obedecesse a mística do monumento, com sua série de relações numéricas. Isso está muito vinculado à ressonâncias matemáticas do Emendabili. O Obelisco é hermético. Ele tem segredos. Se sair da métrica emendabiliana, desvirtua-se algo que ele deixou perpetuamente. Mas eu acredito que o trabalho atual foi feito com cuidado. E isso é importante, porque se trata de um monumento irrepetível.

Fiammetta: Estamos agora felizes porque houve um desfecho como se deve, depois de um desgaste emocional tão grande para a família. É uma obra histórica e artística que não se faz mais no Brasil. É completa: tem arquitetura, tem escultura, tem mosaicos.

Durante a obra, entre julho de 2013 e agora, os senhores chegaram a visitar o local?

Fiammetta: Eu e o Paolo combinamos uma coisa: como ficamos muito expostos dentro da nossa legitimidade como descendentes do Emendabili (no episódio envolvendo um painel publicitário afixado por uma patrocinadora do restauro, em 2004), achamos de bom alvitre não interferir no andamento deste restauro. Estivemos lá antes do início das obras e fizemos um levantamento de tudo, ao lado do escritório de arquitetura responsável pelo projeto. Eles fizeram um estudo completo. Depois, não mais quisemos entrar. Deixamos a equipe livre para que ninguém pudesse dizer que a família estava obstruindo o trabalho.

Paolo: Senti que havia um grande medo de que eu entrasse de novo em juízo.

A construção do monumento foi iniciada em 1950 e os trabalhos do Emendabili se seguiram até 1968. Tudo o que ele planejou foi executado?

Fiammetta: Ficaram faltando duas piras votivas. Espero que um dia elas sejam colocadas. Teriam de ficar uma do lado direito e outra do lado esquerdo da entrada do Mausoléu. Com um capacete e um fuzil, em cada uma delas, e o fogo eterno.

Como vocês esperam rever o Obelisco, na reinauguração?

Paolo: Meu maior medo é que o restauro não respeite (algo do projeto do Emendabili). Antes de a obra começar, tive uma reunião (com a equipe da Polícia Militar, responsável pelos trabalhos) e falei que se houvesse algum desvirtuamento, eu ia mandar demolir.

Fiammetta: Espero que no dia da inauguração eu esteja presente e muito feliz pela memória do meu pai.
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