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São Paulo, a cidade que nasceu para ser grande

Edison Veiga

25 de janeiro de 2014 | 00h37

Por Antonio Luiz Rios*

No dia 25 de janeiro de 1554, entre os rios Tietê, Anhangabaú e Tamanduateí, o Padre Manuel de Paiva celebrou uma missa marcando a instalação dos jesuítas no local. O nascimento da cidade de São Paulo entrava para a história imortalizado pela construção de uma igreja e um colégio, localizados no centro da cidade, no conhecido Pátio do Colégio, um dos pontos turísticos mais importantes da capital paulista. Hoje, 460 anos depois, ela se desenvolveu e se agigantou a tal ponto que passou a ser uma das principais cidades do mundo. São Paulo recebe aproximadamente 13 milhões de pessoas por ano, atraídas principalmente pelo turismo de negócios, dada a pujança e diversidade de sua economia. Adicionem-se a isso as opções de cultura, lazer e suas variadas alternativas gastronômicas. Os eventos que ocorrem na cidade são os principais motivos para a vinda destes visitantes, como a Bienal Internacional do Livro, que este ano chega à sua 23ª edição e tem previsão de receber 800 mil visitantes.

Não é apenas a economia ou a estrutura da capital paulista que fazem um evento como este ter tanto sucesso de público. Os paulistanos estão ligados historicamente com a literatura nacional. São Paulo foi o berço de escritores como Oswald de Andrade, Lygia Fagundes Telles e Antonio Alcântara Machado. Recebeu a Semana da Arte Moderna, em 1922, que reuniu grandes artistas do Brasil e marcou o início do modernismo no país, uma revolução da linguagem e da liberdade criadora. Uma Semana que mudou a forma de pensar e de agir de muitos artistas, inspirou outros nomes e é considerada um marco na cultura nacional. Atualmente a cidade conta com importantes monumentos, parques e museus, como o da Língua Portuguesa.

Reunindo povos e culturas de todos os cantos do mundo, sua literatura não poderia deixar de ser mais rica. De acordo com a prefeitura de São Paulo, são 52 bibliotecas espalhadas pela cidade disponibilizando aos paulistanos um enorme acervo de obras das mais diversas áreas e datas. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 3, realizada, em 2012, pelo Ibope Inteligência a pedido do Instituto Pró-Livro, 43% da população brasileira que lê está na região sudeste, com um consumo de quatro livros por ano. No estado de São Paulo 53% declararam-se leitores e leram 1,99 livros/em três meses. Esta média está um pouco acima da média nacional (50% são leitores e leram 1.8 livros lidos, nos três meses anteriores a Pesquisa). Já a região norte, representa 8% dos que leem, no centro-oeste estão 8% também, no nordeste estão outros 29% e o sul tem 13% dos leitores.

Outra característica dos paulistanos é a procura por tecnologia. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, São Paulo é a cidade com maior número de linhas telefônicas habilitadas e com o maior número de conexões à internet. Isto pode justificar a grande procura por livros digitais se comparado a outras regiões do país. O sudeste, segundo a pesquisa do IPL, corresponde a 47% dos leitores de e-books. Parte disso se justifica pelo fato de a região ter os melhores índices do país de adolescentes e adultos matriculados nos ensinos médio (30%) e superior (13%). Estas faixas etárias são as que mais consomem produtos e inovações do mundo tecnológico.

Visitando os bairros da cidade é também possível dar a volta ao mundo. No Bexiga, encontramos os italianos; no Campo Belo, os alemães e em Higienópolis, os judeus. Nestes e em tantos bairros de outras nacionalidades a riqueza literária é imensa. É possível encontrar livros dos mais diversos temas, em seus idiomas nativos, graças a livrarias especializadas ou sebos que vendem e revendem obras que são verdadeiras raridades.

A cultura local fica ainda mais rica quando adicionamos a essa mistura os migrantes, pessoas vindas de todos os lugares do Brasil trazendo na bagagem outra visão, outra educação e tipos de experiências. Essa mescla faz do paulistano um povo receptivo, conhecedor das mais diferentes tradições e raças, cheio de curiosidade e que gosta de explorar outras histórias. Muitas destas histórias estão impressas em livros, ampliando a visão sobre a cidade e seus moradores.

Com o incentivo do vale-cultura, lançado pela ministra Marta Suplicy, espera-se que o consumo de livros aumente e o hábito de ler passe a ser incorporado com a rotina dos brasileiros, principalmente dos paulistanos, que são criadores de tendências. É daqui que saem os modelos, os lançamentos e as novidades que logo estarão em todo o país.

Os parabéns pelos 460 anos de São Paulo não vão apenas para a cidade, mas sim para cada um dos moradores, nascidos ou não na capital, e que de algum jeito engrandecem ainda mais a maior metrópole do país.

* Antonio Luiz Rios é presidente do Instituto Pró-Livro

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