Radiotaxistas criam app para (tentar) frear a concorrência
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Radiotaxistas criam app para (tentar) frear a concorrência

Edison Veiga

09 de abril de 2015 | 00h01

Foto: Sergio Castro/ Estadão

Foto: Sergio Castro/ Estadão


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É fato já consumado – e, ao que parece, irreversível: com a popularização dos smartphones, aplicativos como Easy Taxi e 99Taxis têm sido cada vez mais utilizados na hora de chamar um táxi. Para o passageiro, tudo ótimo – são tantos os taxistas cadastrados nessas plataformas que é raro ter de esperar mais de 10 minutos por um carro; e o sistema de avaliação colaborativa parece garantir um bom atendimento.

Entretanto, essa agilidade que tem cativado os usuários desse tipo de transporte preocupa a outra ponta do negócio: as empresas de radiotáxis. Antes dos apps, elas eram vistas como um meio seguro e rápido para conseguir um táxi em São Paulo. Mas o sistema se revelou obsoleto, à medida que uma empresa do gênero oferece, em média, 400 carros em toda a cidade. No caso dos apps, o maior deles conta com 80% da frota paulistana, ou seja, cerca de 27 mil cadastrados.

Para enfrentar essa concorrência, a Associação das Rádios Táxis de São Paulo (Artasp) está implantando, desde o fim do ano, um mecanismo integrado entre todas as empresas filiadas – eles chamam de “transbordo”. Quem explica o funcionamento disso é o taxista Luis Domingos da Silva (foto), mais conhecido como Maranhão, de 59 anos, presidente da entidade desde 2006.

Como é essa operação unificada que vocês estão implementando?
Chama-se transbordo. Compramos um aplicativo que está sendo instalado em todas as radiotáxis filiadas. O usuário pode baixá-lo gratuitamente tanto em celular Android quanto em iPhone. Basta procurar pelo nome da empresa de radiotáxi que esteja mais habituado a utilizar. Quando ele chamar um táxi, o sistema unificado irá procurar por qualquer uma das empresas filiadas que já tenham aderido ao sistema – e não só naquela acionada pelo passageiro. Com isso, pretendemos resolver o problema da demora da chegada dos carros, já que o passageiro costumava reclamar muito disso.

Quais empresas já estão no sistema?
A Chame Táxi, a Coopertax, a Ligue-Táxi, a Leste Táxi e a Use Táxi. Mas outras já estão entrando também, apenas precisam resolver algumas questões técnicas. Está dando tão certo que muitas empresas têm nos procurado para participar.

Para o usuário, quais são as vantagens?
A agilidade, já que a operação tem reduzido o tempo de espera médio de 30 minutos para 10 minutos. Isto porque se você liga para a Chame Táxi, por exemplo, você tem 450 carros rodando na cidade que podem lhe atender. Agora, com a operação transbordo e essa unificação, estamos falando de um universo de 5,1 mil carros. E isso vai aumentar quando mais empresas aderirem. E tem também a questão do preço. Por lei, quando a chamada é feita por telefone, o taxista deve cobrar uma taxa adicional de R$ 4,50. Os aplicativos que já existiam no mercado não cobravam essa taxa. Então, no nosso, também optamos por isentar o passageiro dessa cobrança.

Por falar em preço, como funcionam as formas de pagamento pelo aplicativo de vocês? Nos já existentes, é possível pagar com cartão (débito ou crédito) ou ainda um voucher do sistema PayPal…
Esse aí (o PayPal) é novidade para mim. Não conhecia. Mas certamente poderemos habilitar no sistema. Ainda não temos, mas podemos começar a ter.

A consolidação do uso dos apps pelos paulistanos fez com que vocês, das radiotáxis, perdessem clientes?
Eu sempre digo que os aplicativos vieram para nos ajudar, e é por isso que estamos implantando nas empresas também. Porque uma coisa já tínhamos: a credibilidade dos nossos clientes.

Mas no dia a dia, quando até taxistas de radiotáxis usam aplicativos “independentes”, como 99Taxis e Easy Taxi, você diria que houve uma queda na clientela, considerando o ano de 2014?
Sim. Com os aplicativos deixamos de fazer 4 mil corridas por dia nas empresas filiadas. Isso dá cerca de 10% do total.

A Artasp faz alguma orientação ou solicitação para que os taxistas das empresas filiadas não usem os apps “independentes”?
Não proibimos. Deixamos à vontade. Não temos preocupação nenhuma com esses aplicativos. Em São Paulo tem serviço para todo mundo. E, vou lhe dizer, o cliente do radiotáxi tem fidelidade. Nossa preocupação maior sempre foi com as empresas, que fecham pacotes. Não com a pessoa física, mas com a pessoa jurídica, entende? E, nesse universo, não perdemos espaço.

Você também é taxista. Já que não há nenhuma restrição ao uso desses aplicativos “independentes”, qual ou quais você usa?
Eu não uso. Tenho de dar exemplo, né?

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