Quer um conselho? Vá ao Metrô
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Quer um conselho? Vá ao Metrô

Edison Veiga

11 de fevereiro de 2013 | 22h27

Vá pra praia e mande seu patrão pro Iraque. Não tome viagra e cafeína na mesma noite. Não siga todos os conselhos que receber. Nunca faça arquitetura. Não fique tão nervoso com coisa bobas! Deixe as coisas acontecerem. Depois de aparecerem no livro Me Dê Um Conselho (Altamira Editorial, 256 páginas, R$ 50, essas pílulas de autoajuda, frases com pitadas humorísticas e outras sacadas podem ser conferidas no Metrô. Até 10 de maio, 20 painéis com frases assim estarão em estações da companhia (confira cronograma abaixo).

A exposição – desdobramento do livro lançado no ano passado – é resultado de um projeto do designer gráfico paulistano Daniel Motta, de 32 anos. Entre março de 2010 e setembro de 2011, ele passou os fins de semana coletando conselhos pelas ruas da cidade – e via internet, pelo site www.medeumconselho.com.br e pelo Twitter @medeumcoselho. Reuniu cerca de 2 mil conselhos – 300 estão no livro, 20 na exposição.

Durante a exposição, Motta não pretende reunir novos conselhos. “Mas vou visitar a exposição com alguma regularidade e fotografar a reação das pessoas enquanto leem os painéis e vou publicar esse material no site do projeto”, conta. “Vale lembrar que, seja no livro, seja na exposição, os conselhos são reproduzidos com a caligrafia das pessoas respeitando 100% do que elas escreveram, tanto na forma quanto conteúdo.”

No livro. Escolher os melhores e editar tudo isso não foi tarefa das mais simples. “A primeira versão do livro tinha 800 páginas. Foi muito difícil descartar alguns conselhos que eram muito bons, muito engraçados”, comenta ele – a versão final acabou ficando com 256 páginas.

Para que os conselhos não ficassem muito aleatórios, Motta fez uma espécie de curadoria. Organizou-os, sutilmente, por tema. Assim, depois de “Não se estresse” vem o “Para resolver seu estresse, case-se com uma baiana”. Ou “Tire fotos sem flash!!” aparece logo depois de “Nunca esqueça o cartão de memória da câmera!”.

O designer também destaca a grafia das pessoas. De acordo com ele, os conselhos mais perturbadores deixavam transparecer o desespero na letra. Já aqueles mais tranquilos eram passados com caligrafia caprichada.

Aos que se empolgarem com a ideia e quiserem fazer o mesmo que Motta, o livro vem embalado em uma sobrecapa que se transforma em uma réplica da caixa usada por ele. Só montar e deixar em algum local em que as pessoas possam ver e, quem sabe, também escrever uns conselhos. Sem aquela história de que se fossem bons, seriam vendidos.

Motta teve a sacada de fazer esse projeto em 2005, quando lançou um livro de ilustrações chamado Poptogramas. Em seguida, ele foi convidado pelo Metrô para expor o trabalho em algumas estações. Como é tradicional em exposições, havia um caderno para os visitantes assinarem. “Vi que muitos não se limitavam a deixar o nome. Escreviam recados, conselhos, era hilário”, recorda-se. “Decidi um dia fazer uma intervenção com essa ideia: sem nenhuma interferência, pedindo para as pessoas escreverem seus conselhos. Deu nisso aí.”

Agenda da exposição:
10 de fevereiro a 9 de março na Estação República
10 de março a 9 de abril na Estação Alto do Ipiranga
10 de abril a 10 de maio na Estação Santana

Tema da coluna veiculada pela rádio Estadão em 11 de fevereiro de 2013

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