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Prefeitura embarga obras no Copan

Trabalhos de restauro foram iniciados sem autorização do órgão municipal de proteção ao patrimônio

Edison Veiga

05 Novembro 2015 | 15h05

Foto: Sergio Castro/ Estadão

Foto: Sergio Castro/ Estadão


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Atualizado às 18h30 para acréscimo de informações.

A Prefeitura embargou as obras de recuperação da fachada do Edifício Copan, um dos prédios mais simbólicos do centro de São Paulo. O motivo é que os trabalhos foram iniciados sem a devida autorização do Conpresp, o órgão municipal de proteção ao patrimônio – projetado por Oscar Niemeyer (1907-2012), o edifício é tombado desde 2012.

O síndico Affonso Celso Prazeres de Oliveira confirmou que foi notificado no início da tarde desta quinta. Ele tem 10 dias para apresentar sua defesa e disse estar “tranquilo” de que conseguirá se justificar à administração municipal de modo que as obras não sejam interrompidas. “Já estamos elaborando nossa estratégia”, afirmou, por telefone. Oliveira disse que pretende entregar sua defesa na terça (10).

A Subprefeitura da Sé confirmou, em nota, o embargo. De acordo com a administração municipal, além da falta das autorizações do órgão de proteção ao patrimônio, o edifício também não apresentou “um projeto com o pedido de reforma junto à Prefeitura”. O valor da multa, entretanto, ainda não foi devidamente calculado, conforme informou a Assessoria de Comunicação do órgão.

Orçadas em R$ 23 milhões, as obras foram iniciadas em 5 de outubro. A previsão original era que os trabalhos de restauro levassem três anos. São 46 mil metros quadrados de pastilhas, que devem ser retiradas e repostas. Desde 2012, a fachada do edifício está protegida com uma tela azulada, justamente para evitar que nacos do revestimento caiam sobre pedestres

O caixa do condomínio tem R$ 13 milhões já destinados para a obra. A administração espera viabilizar o restante por meio de parcerias com empresas privadas.

Em nota, o Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) confirmou que encaminhou nesta quinta “à Subprefeitura da Sé o pedido de fiscalização e providências com relação ao início de intervenções na fachada do Copan sem anuência do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp)”.

“O condomínio obteve autorização em 2011 para colocação de telas de proteção e remoção pontual das pastilhas visivelmente danificadas por razões de segurança, em caráter emergencial”, prosseguiu o comunicado. “Diante da informação de que as obras na fachada haviam sido iniciadas sem a autorização do Conpresp, o DPH tomou as providências para solicitar que a obra seja embargada.”

História. O nome Copan é uma redução de Companhia Pan-Americana de Hotéis e Turismo. A empresa foi criada no início dos anos 1950, em preparação para as comemorações do IV Centenário de São Paulo, celebrado em 1954. Em 1951, a companhia encomendou ao arquiteto Oscar Niemeyer um ambicioso projeto que previa apartamentos, hotel, teatro, cinemas, restaurantes, jardins suspensos, centenas de lojas e garagens subterrâneas – o que seria o Copan. O resultado, como se sabe, não foi bem assim. Após diversos atritos entre os investidores, o sinuoso edifício acabou inaugurado, somente em 1966 – bem diferente da ideia original.

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