“Precisamos de uma política que proteja a família”, diz cardeal-arcebispo de São Paulo
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“Precisamos de uma política que proteja a família”, diz cardeal-arcebispo de São Paulo

Em pronunciamento à imprensa nesta quarta, d. Odilo Pedro Scherer fez um balanço do Sínodo encerrado no último domingo

Edison Veiga

28 de outubro de 2015 | 18h22

Foto: José Patricio/ Estadão

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“A sociedade política precisa olhar para a família com cuidado. Para protegê-la e não sufocá-la.” D. Odilo Pedro Scherer, cardeal-arcebispo de São Paulo, revelou que esta foi uma das principais preocupações dos 265 religiosos que integraram o Sínodo dos Bispos Sobre a Família, encontro encerrado no último domingo, na Cidade do Vaticano. Scherer recebeu, na tarde desta quarta, jornalistas na sede da Cúria Diocesana, em Higienópolis, região central de São Paulo.

“Foi um grande momento na vida da Igreja. O tema da família foi tratado sob muitos aspectos e o relatório final é uma contribuição não só para a Igreja, mas também para toda a comunidade humana”, avaliou o cardeal, um dos seis padres sinodais brasileiros – a delegação nacional no Vaticano contava ainda com um teólogo, um seminarista e um casal convidado. “A mensagem final é um encorajamento à família, aos jovens para que formem uma família. Esperamos que, agora, os frutos do Sínodo sejam abundantes e resultem em uma nova postura da Igreja com relação à família e que os Estados se interessem pelas famílias, já que estas são um bem da humanidade.”

Scherer pontuou que, muitas vezes, fatores como “altas cargas tributárias, dificuldade de acesso à moradia, pressão do custo de vida” criam dificuldades a formação de novas famílias. “Cabem aos Estados criar políticas favoráveis à família, para que elas não sejam proibitivas. Um casal que queira ter filhos precisa ter apoio”, disse.

Sobre o acolhimento católico aos divorciados em segunda união, Scherer argumentou que este “não foi o principal assunto do Sínodo”, apesar de reconhecer que o mesmo tem mais apelo midiático. A recomendação do relatório final neste sentido foi de acolhimento e avaliação caso a caso, para que essas pessoas possam participar da vida da Igreja.

“Eles não são excomungados, afirma o texto, são filhos de Deus, amados por Ele, nossos irmãos e nossas irmãs, e por isso devem ser acolhidos e integrados na Igreja. Até aqui, dificilmente se encontraria um padre sinodal que discordasse disso”, explicou o bispo de Camaçari, d. João Carlos Petrini, em artigo exclusivo ao Estado. “O parágrafo torna-se problemático na segunda parte, por causa de uma redação confusa que não deixa claro o caminho do discernimento para a integração. Não se fala do acesso a eucaristia, tudo está dito entre as linhas. Um leitor pode chegar à conclusão que ‘está tudo liberado’ como alguns órgãos de informação noticiaram, ou pode chegar à conclusão que o acolhimento não contempla a eucaristia, a não ser que haja uma declaração de nulidade do matrimônio. Essa ambiguidade do texto pode gerar problemas de interpretação e pode criar dificuldades na sua aplicação prática. Por isso, cerca de um terço dos Padres sinodais se manifestou contra esses parágrafos.”

O Sínodo tem função consultiva, ou seja, serve para que o papa receba considerações de bispos de todo o mundo sobre o tema em questão – no caso, a família. Qualquer mudança de postura da Igreja a partir do que foi debatido deve vir, dentro de alguns meses, em exortação apostólica pós-sinodal do próprio Papa Francisco.

“O Sínodo diz ao mundo que é preciso uma grande valorização da família, com acolhida, inclusão e misericórdia”, resumiu Scherer. “Família é o último refúgio da pessoa, quando todas as outras balizas caem.”

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