Práxis
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Do dia de cão ao dia de caos, um cotidiano que é profissão de fé

Edison Veiga

26 Agosto 2014 | 17h45

Foto: Reprodução

O ar seco. O início do horário de verão. As estatísticas da criminalidade. A manifestação, a greve, a rebelião. Os números: da mega-sena do réveillon, da corrida eleitoral, do congestionamento recorde. A falta de luz no bairro nobre. O obituário do figurão. O horóscopo. O resumo das novelas.

A nova lei. A nova ponte. A nova ciclovia. A nova novidade. O novo, de novo – novo buraco na avenida, novo parque na cidade, novo itinerário de ônibus, novo prédio, novo trilho, novo subprefeito, novo obelisco, novo livro, novo espetáculo em cartaz.

A reforma: da igreja, do monumento, do prédio histórico do centro antigo. O retorno: do trânsito, do político, da moda, da mania, da doença, da velha banda. O incêndio. A violência. A batida policial. A favela removida. O surto. A epidemia. A pandemia. O pandemônio. O caos.

A política pública. A dívida externa. A classificação atualizada. A previsão do tempo. O superávit primário. O crescimento do PIB. A programação da TV. A cotação do dólar. A última pesquisa de intenção de voto. A cura contra o câncer. A guerra no Oriente. A fusão empresarial. O líder internacional. O próximo filme em cartaz.

O Nobel. O Pritzker. O Fields. O ouro olímpico. O campeão mundial. O pop star. O presidente, o rei, o papa.

As mortes. A morte. A inexorabilidade da vida. A injustificativa da vida. A dádiva da vida, essa desvida que escorrega aqui, agora, entre a pauta e o lide, entre o branco e a foto, entre as manchetes.

O fechamento.

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