Por pouco, o centro de São Paulo não ficou como o de Paris
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Por pouco, o centro de São Paulo não ficou como o de Paris

Edison Veiga

07 de fevereiro de 2013 | 12h54

Não fosse a Primeira Guerra Mundial, o centro de São Paulo poderia ser parecido com o de Paris. Ou, ao menos, com o de Buenos Aires. Isso porque o arquiteto e urbanista francês Joseph-Antoine Bouvard chegou a ser contratado – por 5 mil libras esterlinas – para repensar a organização da cidade pelo prefeito Raimundo Duprat.

Seu currículo era inquestionável. Entre 1897 e 1911, Bouvard foi diretor honorário dos serviços de arquitetura, passeios, viação e plano da cidade de Paris. “Detinha sólida reputação internacional, firmada em mais de 40 anos de atividade como arquiteto e urbanista”, escreve o arquiteto Eudes Campos, no livro Arquivo Histórico de São Paulo – História Pública da Cidade.

Em 1907, foi contratado pela prefeitura de Buenos Aires para remodelar a capital portenha. “Nesse vaivém entre Europa e América do Sul, costumava passar por São Paulo”, conta o historiador Guido Alvarenga, do Arquivo Histórico Municipal. Numa dessas passagens, em 1911, acabou contratado pelo prefeito Duprat, que queria os préstimos do francês na malha urbana paulistana. Ele ficou 40 dias na capital paulista e elaborou um relatório em que enumerava os pontos prioritários a serem melhorados.

Preocupado com a ocupação dos “claros” deixados pela ocupação natural dos terrenos, ele propõe um traçado mais orgânico das ruas centrais. Os vales, portanto, deixariam de ser vazios. Seu projeto melhoraria também o Anhangabaú e a várzea do Carmo, com uma modernização global das ruas centrais.

Entre 1911 e 1914, a prefeitura deu início a tais obras. A então Rua de São João se transforma em avenida, a Rua Líbero Badaró é alargada e outras vias centrais ganham melhoramentos. E é aprovada a criação de uma praça no início do Viaduto do Chá – a Praça do Patriarca, que só seria concluída no início dos anos 1920.

“Mas aí veio a guerra…”, comenta o historiador Guido Alvarenga. Por razões financeiras, o “plano Bouvard” acaba interrompido. São Paulo não virou Paris, nem Buenos Aires – cresceu e se tornou gigante a seu modo: caótico, mas completo.

Tema da coluna veiculada pela rádio Estadão em 6 de fevereiro de 2013

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