Passeios fotográficos viram programa de paulistano
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Passeios fotográficos viram programa de paulistano

Cada vez mais, grupos de profissionais e amadores se organizam para redescobrir a cidade

Edison Veiga

28 Novembro 2015 | 00h01

Foto: Julio Acevedo/ Divulgação

Foto: Julio Acevedo/ Divulgação


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Para uns, é toda quarta. Para outros, um sábado por mês. Há os que marcam no domingo. Em comum, o compromisso religioso, sem falta: caminhar e fotografar a cidade, juntos. São os passeios fotográficos, grupos de clicadores profissionais e amadores que, câmeras em punho e olhares atentos, preocupam-se em mostrar a metrópole sob novos ângulos.

“Fotografar pelas ruas em grupo têm inúmeras vantagens: a segurança é maior do que sozinho, e muitas vezes estamos com equipamentos caros; o compartilhamento de experiências; e as próprias amizades que se formam”, comenta a arquiteta e fotógrafa Mariana Orsi. Em novembro, ela criou o projeto Click a Pé. Começou pelo Elevado Presidente Costa e Silva, o Minhocão, no segundo domingo do mês. No próximo dia 6, será a vez de um passeio a partir da Praça da Sé, pelas ruas do centro.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Sua ideia é repetir o processo em 12 lugares paulistanos e, depois, reunir as melhores imagens em uma exposição. “Quero que as pessoas redescubram a cidade por meio das fotografias”, diz Mariana (foto acima).

O recém-inaugurado grupo se junta aos mais de 20 que existem em atividade em São Paulo. O mais longevo deles, sem dúvida, é o FotoJornada – que, em fevereiro, completa 20 anos de atividade ininterrupta, com uma saída por mês. “No começo, a missão era utilizar um filme por passeio, ou seja, cada fotógrafo tinha o limite de 36 cliques”, conta o idealizador, o fotojornalista André Douek (foto abaixo). “Hoje, as pessoas usam celulares e câmeras digitais e fazem centenas de fotos. O interessante é que o programa se democratizou, já que não há custo de material – todo mundo tem celular e não há despesas com filme e revelação.”

Foto: Felipe Rau/ Estadão

Foto: Felipe Rau/ Estadão

Em média, participam 40 pessoas dos tours de Douek. “O número é maior quando o roteiro passa por regiões mais centrais”, diz. Os recordes foram as duas jornadas “pelas alturas”, em que os participantes puderam subir às coberturas de prédios históricos da capital. Em junho de 2012, 636 fotógrafos clicaram São Paulo do alto dos edifícios Copan e Martinelli e do Palácio Anchieta, sede da Câmara (confira a galeria de imagens resultantes do passeio). Em agosto de 2011, 450 estiveram em roteiro semelhante, subindo ao Copan, ao Martinelli e ao Olido.

Quem cedo madruga. Foi por causa do rodízio municipal de veículos que o publicitário Marcello Barbusci começou a fotografar a cidade sempre nas manhãzinhas de quarta-feira. A carona à mulher no caminho do trabalho tinha de ser mais cedo, antes das 7h, e ele, editor de uma revista de fotografia, aproveitava para tomar café com um amigo, proprietário de loja de equipamentos fotográficos no centro. “Do café, resolvemos começar a caminhar e fotografar”, recorda-se ele. “É um horário ótimo, em que a cidade costuma estar mais tranquila. E a luz da manhã, sem dúvida, é bem melhor.”

Foto: Mauro Coelho/ Divulgação

Foto: Mauro Coelho/ Divulgação

Nascia aí, em 2013, o PhotoWalk, tour fotográfico semanal que costuma reunir cerca de 20 “madrugadores”. “Estamos mudando a história de que fotógrafo não gosta de acordar cedo”, brinca o publicitário. “E o legal é que reunimos todos os tipos de pessoas, do profissional renomado ao amador, que curte o hobby.”

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