As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Parque Augusta: o debate da FAU-USP

Autoridades, acadêmicos e ativistas se reuniram na quinta na universidade

Edison Veiga

31 de maio de 2015 | 07h41

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação


_____________________
Paulistices no Facebook: curta!
E também no Twitter: siga!
_____________________

Ativistas, arquitetos e autoridades municipais debateram na noite de quinta-feira (28) sobre as questões envolvendo o terreno de 24 mil metros quadrados conhecido como Parque Augusta, na região central da cidade. O evento aconteceu no auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (FAU-USP) e teve como convidados o secretário municipal de Cultura, Nabil Bonduki, a presidente do Conpresp e diretora do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH), Nadia Somekh, ambos arquitetos; os professores da FAU Benedito Lima de Toledo e Alexandre Delijaicov; o arqueólogo Paulo Zanettini; e os ativistas Iberê Bandeira de Mello, advogado, Augusto Aneas, arquiteto, e Henny Freitas, jornalista. A conversa foi mediada pela arquiteta Raquel Rolnik, professora da FAU.

“Nós, arquitetos, não somos formados para projetar apartamento para madame. É nossa responsabilidade discutir um terreno com iminente interesse social, porque temos função social”, afirmou Benedito Lima de Toledo. Ele lembrou que, historicamente, a cidade já perdeu áreas inteiras por falta de consciência de preservação.

“Em um determinado momento, a Prefeitura deixou muito claro de que a solução de torres que deixassem um espaço preservado como parque era adequada. Mas eu acredito que essa não é uma solução. Um parque público não é um jardim de condomínio e essa região já está suficientemente adensada de prédios”, afirmou Raquel Rolnik.

“A população não quer mais prédio nesse local. Temos 25 mil assinaturas que pedem parque em 100% do terreno”, disse o advogado Iberê Bandeira de Mello.

O estudo, recentemente divulgado pelo Estado, que indica possibilidade de que o terreno guarde vestígios arqueológicos também foi lembrado. “A área pode guardar outras histórias. E em um espaço desses pode ser pensada uma arqueologia ventilada, diferenciada”, afirmou Paulo Zanettini.

A presidente do Conpresp explicou como as decisões do órgão são tomadas, referindo-se à aprovação do complexo que as construtoras Cyrela e Setin pretendem erguer no local – em reunião ocorrida em janeiro. “Conflitos existem, mas a gente prega a construção coletiva da cidade”, afirmou. “As reuniões do Conpresp são abertas ao público. E conseguimos que as construtoras incluíssem no projeto questões de transparência e amplitude pública, como espaço de fruição.” Ela ressaltou que, para que o empreendimento seja construído, as empresas ainda dependem de autorização da Secretaria de Licenciamentos do município. “O (órgão municipal de proteção ao) Patrimônio Histórico construiu uma imagem de resistência à verticalização, mas não é esse o papel. Temos limitações. Estamos todos no mesmo barco.”

“O conflito existe mas pode ser construtivo. Há ações na Justiça, vamos aguardar. A resolução pode ser nessa linha”, disse Nadia. “Quanto ao Conpresp, se trata de um conselho. Eu não tomo as decisões isoladamente. E no caso do Parque Augusta, acreditamos que o empreendimento era uma forma de viabilizar o parque.” Ela disse ainda que a aprovação do órgão é “de baixa efetividade”, apesar de simbólica – pois o trâmite ainda depende da Secretaria de Licenciamentos. Ela disse que a “Nadia cidadã também quer o parque”.

O secretário Bonduki citou suas memórias afetivas daquela região para concluir que espera “fazer dessa área um espaço público para toda a população”. “Há uma série de mecanismos previstos no Plano Diretor que podem viabilizar o parque”, disse. “Sempre apoiei o Parque Augusta, desde o início.”

Ele frisou que foi um dos que convenceu o prefeito Fernando Haddad (PT) a sancionar a lei que criou o Parque Augusta, em 2013. “O que está sob decisão da administração municipal é encontrar mecanismos para poder adquirir aquela área. O mais tradicional é a desapropriação. A discussão é o quanto se gastaria com essa desapropriação frente a outras necessidades urgentes do município, inclusive de áreas verdes.”

O auditório reuniu cerca de 150 participantes, na maioria ligados aos movimentos de ativistas que querem o Parque Augusta em 100% do terreno. Em diversos momentos, houve manifestações ofensivas contra a presidente do Conpresp, sendo que em todos os casos a organização do debate deixou claro que, caso as ofensas prosseguissem, o evento seria imediatamente encerrado.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.