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Papa Francisco e um prêmio histórico

ARTIGO

Edison Veiga

06 Maio 2016 | 18h35

Foto: Angelo Carconi/ EFE

Foto: Angelo Carconi/ EFE

Por Rodolfo Canônico *

A entrega do prêmio Carlos Magno ao Papa Francisco é um evento histórico sob vários aspectos. Não é a primeira vez que esta distinção é concedida a um líder da Igreja Católica – João Paulo II já recebera a premiação em 2004. Os dois pontífices figuram em uma extensa lista que inclui algumas das mais importantes personalidades políticas da história recente da Europa, como Alcide de Gasperi, Konrad Adenauer e Václav Havel.

A comunidade europeia tal como conhecemos, concebida imediatamente após a II Guerra Mundial, enfrenta alguns dos maiores desafios de sua curta história. Em vários países avançam movimentos nacionalistas que, em maior ou menor medida, questionam a integração criada pela União Europeia. Sem dúvida que a longa crise econômica que assola o Velho Continente há vários anos alimentou esses grupos. Atualmente, contudo, o grande motor desta perturbação social e política é a crise imigratória, problema gravíssimo e mal gerenciado pelas autoridades europeias.

Francisco não é um líder político: sua grande preocupação é fazer chegar às pessoas a misericórdia divina – por isso decretou, em caráter extraordinário, um Ano da Misericórdia para toda a Igreja. Ele sempre proclama ser necessário ir ao encontro das pessoas nas periferias existenciais. Não por acaso, sua primeira viagem após a eleição papal foi para a ilha de Lampedusa, por onde passam milhares de refugiados oriundos de diversas partes da África. E sua mais recente visita foi à Lesbos, ilha grega que é porta de entrada na Europa para os refugiados sírios.

O Papa é um líder espiritual que quer chegar a todas as pessoas, dando prioridade aos marginalizados. São suas atitudes de proximidade com o sofrimento que o colocam como um dos únicos líderes a dar respostas à altura dos desafios impostos pela crise imigratória. Sua atitude humilde e paternal cria pontes que facilitam a superação também de desafios políticos. É por isso que, contrariando sua própria vontade, pois pretendia recusar a premiação, foi aconselhado a receber a honrosa distinção, dando um claro recado ao mundo, especialmente aos políticos: a resposta para as crises humanitárias é o acolhimento, nunca a exclusão.

* Rodolfo Canônico é coordenador do Projeto Comunicação Aberta.