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Os judeus alsacianos em São Paulo

Edison Veiga

20 de outubro de 2010 | 09h07

Não se tem registro do primeiro judeu “paulistano”. A partir de 1870 chegaram os primeiros judeus da Alsácia-Lorena, atraídos pela riqueza gerada pelo café e tangidos pela derrota da França diante da Alemanha. Os alsacianos aproveitaram o boom econômico do café para suprir os fazendeiros e a nascente burguesia urbana com artigos de luxo.

Celestine Hertez (1848-1933), judia alsaciana que viveu em Campinas, escreveu em seu diário (14 de abril de 1868):

“Hoje é o quinto dia do Pessach (a Páscoa judaica). Nos dois primeiros dias fiquei triste; aqui não há festas, nada a fazer. Mas aqui não é o Rio de Janeiro; a gente tem que esconder que é israelita, tão estúpido e selvagem é aqui o cristianismo justamente como nos tempos antigos.”

Do Rio de Janeiro veio o dentista judeu francês Samuel Edouard da Costa Mesquita (1837-1894), que trabalhara para o Imperador D. Pedro II e depois viera para São Paulo onde havia muito serviço. Com o governo incentivando a imigração europeia, ele pretendia trazer judeus da Rússia que por lá viviam em péssimas condições. No bairro Bom Retiro, muito próximo da Estação da Luz, já se viam alguns judeus vindos do Império Russo que tentavam ganhar a vida como mascates.

Excerto do livro Os Primeiros Judeus de São Paulo, de Paulo Valadares, Guilherme Faiguenboim e Niels Andreas (Fraiha, 2009)

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