Os 23 patrimônios culturais de São Paulo, segundo o Iphan
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Os 23 patrimônios culturais de São Paulo, segundo o Iphan

Lista acabou de ganhar a presença do Sesc Pompeia, tombado pelo órgão nacional na tarde da última quinta

Edison Veiga

06 Março 2015 | 15h02

1. Coleções arqueológicas, etnográficas, artísticas e históricas do Museu Paulista da Universidade de São Paulo

2. Igreja de São Miguel Paulista

Foto: Hélvio Romero/ Estadão

Foto: Hélvio Romero/ Estadão

3. Mosteiro e Igreja da Imaculada Conceição da Luz e respectivo quintal

4. Casa do Tatuapé

5. Edifício da Casa Grande do Sítio dos Morrinhos ou Chácara de São Bento

6. Casa do Sítio Mirim

7. Coleção de arte que constitui o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp)

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

8. Coleção de Arte Sacra da Cúria Metropolitana de São Paulo

9. Imagem de Nossa Senhora das Dores com características marcantes da obra de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho / Imagem de São José, do Século XVIII, de 0,35m de altura, de autoria de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho

10. Imagem de barro cozido, representando Nossa Senhora da Purificação, com 0,48m de altura, datada de 1641, procedente do Estado da Bahia, atribuída a Frei Agostinho de Jesus (séc. 17)

11. Museu de Arte Contemporânea: acervo

Foto: Erica Dezonne/ Estadão

Foto: Erica Dezonne/ Estadão

12. Estação da Luz

Foto: JF Diorio/ Estadão

Foto: Sergio Castro/ Estadão

13. Casa modernista de Warchavchik na Rua Santa Cruz, 325, constituído pela casa, o jardim e o bosque que o circundam

14. Casa de Warchavchik na Rua Bahia, 1126

15. Casa de Warchavchik na Rua Itápolis, 961, Pacaembu

16. Igreja da Ordem Terceira do Carmo, restrita às frontaria, nave, capela-mor, sacristia, biblioteca, sala de reuniões, obra de talha, imaginária e pinturas aí localizadas, especialmente a obra pictórica do Padre Jesuíno do Monte Carmelo

17. Coleção Mário de Andrade do IEB / USP

18. Conjunto do Ipiranga: Museu Paulista, Monumento à Independência, Casa do Grito e Parque da Independência

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

19. Teatro Municipal de São Paulo

Foto: Edison Veiga/ Estadão

Foto: Edison Veiga/ Estadão

20. Edificação e Acervo Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP)

21. Acervo Histórico da Discoteca Oneyda Alvarenga, no Centro Cultural São Paulo da Secretaria Municipal de Cultura

22. Teatro Oficina, Rua Jaceguai nº 520 antigo 70 e anteriormente nº 64

23. Conjunto arquitetônico do Sesc Pompeia

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O conjunto arquitetônico do Sesc Pompeia, na zona oeste de São Paulo, tornou-se patrimônio cultural do Brasil. O tombamento foi aprovado em reunião ocorrida na tarde de quinta, 5, na sede Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

É a segunda obra de Lina na lista do Iphan

Com isso, a capital paulista passa a ter 23 bens protegidos pelo Iphan. O Sesc Pompeia é a segunda obra da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992) a figurar no rol do patrimônio nacional – antes, o conjunto arquitetônico do Museu de Arte de São Paulo, o Masp, já estava protegido. De acordo com o arquiteto Renato Anelli, diretor do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi e professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP de São Carlos, a próxima edificação de Lina que deve ser tombada é a Casa de Vidro, residência da família Bardi e hoje sede do instituto que leva o nome do casal.

Na justificativa do Iphan, o Sesc Pompeia merece ser integrado à lista de bens tombados por “ser considerado um marco da arquitetura brasileira e por seus valores técnicos e estéticos, em especial pelas intervenções em sua estrutura, desenvolvidas por Lina Bo Bardi”. Em nota, a instituição também afirma que o “complexo da Pompeia se tornou uma referência arquitetônica nacional e internacional e um dos mais importantes centros de convivência e de cultura da cidade de São Paulo”.

Anelli confirma. “Atualmente, trata-se da obra de Lina mais reconhecida internacionalmente, ao lado do Masp”, conta ele. “O Sesc Pompeia marca um período de redemocratização, em que o acolhimento público estava sendo muito valorizado.”

História. A arquiteta foi chamada para projetar um centro de lazer a partir de um prédio antes ocupado pelos galpões da antiga fábrica de tambores Pompeia. Como o espaço já vinha sendo utilizado pela comunidade, isto acabou norteando o processo de intervenção. “Lina optou por não demolir o pré-existente, mas qualificá-lo”, analisa Anelli. “Com sua obra, há uma mudança de significado do espaço, que de trabalho passa a ser de lazer.”

Local era fábrica de tambores

A obra foi dividida em duas etapas: a primeira foi o centro de lazer nos antigos galpões, iniciada em 1977 e concluída em 1986; a segunda foram os blocos esportivos, inaugurados no mesmo ano. “Lina chegou a montar um escritório dentro da obra, nesse período”, conta o Anelli.

As antigas estruturas industriais foram mantidas. A arquiteta inseriu novos volumes de forma harmônica com o entorno, preservando a memória operária e criando um espaço aberto à população. “É interessante como ela conseguiu suavizar os elementos”, ressalta.

A própria Lina comentou sobre o Sesc Pompeia, depois de concluída a obra. “Assim numa cidade entulhada e ofendida, pode, de repente, surgir uma lasca de luz, um sopro de vento. E aí está, hoje, a Fábrica da Pompeia, com seus milhares de frequentadores. As filas da choperia, o ‘Solarium-Índio’ do deck, o Bloco Esportivo, a alegria da fábrica destelhada que continua”, afirmou ela.

O arquiteto Marcelo Ferraz, que foi colaborador de Lina, esteve presente à reunião do tombamento. “É muito importante o olhar do Iphan para o patrimônio brasileiro, olhando também para os usos do espaço. Este (o Sesc Pompeia) é um patrimônio onde o uso faz toda a diferença”, disse. “O patrimônio tem de andar junto com a vida. Por isso, a discussão do tombamento, respeitando os usos, é um indício de que a história desse lugar será respeitada.”

Desde 2009, o Sesc Pompeia era tombado pelo Conpresp, o órgão municipal de proteção ao patrimônio.