Obra do Palácio da Justiça deve sair do papel
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Obra do Palácio da Justiça deve sair do papel

Edison Veiga

09 de setembro de 2013 | 17h33

Após 6 anos de promessas, reforma do prédio de 1933 está marcada para começar neste semestre

FOTO: ROBSON FERNANDJES/ ESTADÃO

A aguardada reforma do Palácio da Justiça, sede do Judiciário paulista e patrimônio do centro paulistano, enfim, deve começar neste semestre. Há pelo menos seis anos, funcionários e visitantes do prédio convivem com andaimes e suportes – improvisos e soluções paliativas que tentam controlar problemas estruturais do prédio de 1933, localizado na Praça da Sé.

A obra completa, sob responsabilidade do escritório Kruchin Arquitetura, está em fase de aprovação dos órgãos de proteção ao patrimônio e da Prefeitura. Orçada em cerca de R$ 20 milhões, toda a obra será bancada pelo próprio Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A primeira fase da obra deve levar 24 meses.

Por enquanto, vigas metálicas espalhadas pelos corredores do 6.º andar denunciam os problemas. Há infestações de cupim, infiltrações e sobrecarga de equipamentos sobre o forro de estuque, que corria o risco de desabar.

A biblioteca, localizada no 4.º andar, tem o cenário mais crítico. Ali, foram encontrados problemas na estrutura de madeira que levaram, em 2010, à interdição do salão de leitura. Laudos constataram também rachaduras, problemas decorrentes de umidade e outras patologias.

Obras. Durante a reforma, a ideia dos arquitetos é reorganizar toda a dinâmica operacional do tribunal. “Será um rearranjo interno. Câmaras de julgamento serão deslocadas para uma melhor eficiência do prédio”, explica o arquiteto Samuel Kruchin.

Outro problema que deve ser solucionado é a adaptação de um prédio de 80 anos às necessidades contemporâneas. “Será o fim das gambiarras”, promete Kruchin. “A infraestrutura do prédio vai comportar instalações elétricas, de informática e de condicionamento térmico dos dias de hoje.”

Kruchin também lembra que o Metrô que passa no subsolo do prédio provoca vibrações que afetam a estrutura. “Vamos adotar medidas para atenuar esses efeitos.”

Mesmo antes de as obras começarem, o projeto de restauro já está eternizado. O Palácio da Justiça é um dos que aparecem no recém-lançado livro Kruchin: Uma Poética da História, com os trabalhos do escritório de arquitetura.

Tema da coluna veiculada pela rádio Estadão em 9 de setembro de 2013