Obelisco do Largo da Memória: a “primeira obra inútil” de São Paulo
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Obelisco do Largo da Memória: a “primeira obra inútil” de São Paulo

Edison Veiga

19 de dezembro de 2012 | 12h48

Mais antigo monumento paulistano, o obelisco da Ladeira da Memória já foi chamado de “primeira obra inútil de São Paulo”, já que o marco do centro da cidade tem como única serventia o aspecto estético – e mesmo isso não é reconhecido com unanimidade.

Batizada oficialmente de Obelisco do Piques – ou Pirâmide do Piques -, a obra foi inaugurada em 1814 e é assinada por dois profissionais: Daniel Pedro Müller e Mestre Vicentinho.

Formado na Real Escola dos Nobres de Lisboa, Müller mudou-se para São Paulo em 1802. Veio como ajudante de ordens do governador e capitão-general Antônio José da Franca e Horta, que administrou São Paulo entre 1802 e 1811. O engenheiro acabou se tornando o primeiro diretor do Gabinete Topográfico criado na província paulista. Atualmente, há uma rua no Itaim Paulista, zona leste, em sua homenagem.

Mestre Vicentinho, na verdade Vicente Gomes Pereira, foi um pedreiro famoso por ter “boa mão” para desenho. Em 1941, o jornalista e escritor Affonso Schmidt publicou um artigo no Estado no qual expressava a admiração pela obra de Vicentinho: “O Obelisco, construído com restos de materiais (…) aí está. Deu nome ao Largo e à Ladeira da Memória. Tornou-se uma espécie de emblema de São Paulo. E ficou para sempre, porque recebeu a graça de ter sido tocado pela mão inspirada de um artista”.

Esta história foi levada ao ar recentemente em minha coluna na rádio Estadão ESPN.

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