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O parque que São Paulo deixou de ganhar

Edison Veiga

15 de fevereiro de 2013 | 14h16

O Conselheiro Antonio Prado é considerado um dos fundadores da São Paulo que conhecemos hoje. Primeiro prefeito da cidade desde que o cargo foi criado em definitivo, em 1899, ele governou a capital por doze anos e planejou diversas melhoras para a cidade (como a iluminação elétrica e o Teatro Municipal, por exemplo). Um dos seus principais projetos, porém, jamais chegou a sair do papel: a construção de um enorme parque de 1,3 km² na região da Avenida Paulista.

Quem revela o plano de Antonio Prado é a especialista em arte e arquitetura Maria Cecilia Naclério Homem, que foi esposa de um dos sobrinhos-neto do ex-prefeito, o famoso historiador Caio Prado Jr. Segundo ela, a ideia era preservar a vegetação da encosta do espigão da Avenida Paulista voltada para o lado de Pinheiros, onde hoje ficam os bairros nobres do Jardim América e Jardim Paulista.

A região era rica em biodiversidade pois abrigava uma vegetação de mata atlântica nativa conhecida como Mata do Caaguaçu – nome indígena para o morro onde hoje descem a Rua Augusta e as Avenidas Nove de Julho e Brigadeiro Luis Antônio do lado dos Jardins. Uma porção dessa antiga mata continuou preservada no Parque Tenente Siqueira Campos, conhecido como Trianon, na frente do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Quase todo o resto, porém, foi loteado ainda na virada do século 19 para o 20.

“O Conselheiro tinha esse plano, de transformar tudo aquilo em um grande parque. Mas a especulação imobiliária, que já era muito acentuada na época, não permitiu que ele conseguisse prosseguir com o plano”, afirma Maria Cecília. Por causa das resistências, o projeto não chegou sequer a ser apreciado na Câmara Municipal. “Hoje você vai para Buenos Aires ou Santiago e vê parques imensos, bem no meio da cidade. São Paulo também poderia ter isso, mas perdeu a sua chance histórica.”

Com reportagem de RODRIGO BURGARELLI

Tema da coluna veiculada pela rádio Estadão em 15 de fevereiro de 2013

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