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O mestre dos relógios

Edison Veiga

18 de janeiro de 2012 | 05h59

FOTO: ALEX SILVA/ AE
Eis a transcrição da coluna ‘Paulistices’ que foi ao ar em 26 de dezembro pela rádio Estadão ESPN:

Quem é o senhor do tempo, o responsável pela hora certa nos grandes relógios da cidade?
Trata-se de um senhor chamado Augusto Fiorelli, de 52 anos. Ele é responsável por deixar em pleno funcionamento 12 relógiões espalhados pela cidade, entre eles o da Estação da Luz, o da Praça da Sé, o da Imprensa Oficial e os das Faculdades de Direito e de Medicina da USP.

E é verdade que ele, ao contrário de boa parte dos paulistanos nesta época do ano, não pode viajar?
É bem por aí. Para dar conta do funcionamento desses relógios, Augusto não pode ficar mais do que quatro dias longe de São Paulo. Afinal, ele precisa dar corda nas engenhocas.

É difícil dar corda em um relógio desses? Como funciona?
É relativamente simples. Ele gira uma manivela que faz subir dois pesos de ferro maciço – um que serve para que o relógio funcione, outro para que o sino seja tocado. No caso do aparelho da Estação da Luz, o primeiro pesa 80 quilos e o outro, 140 quilos. Gradativamente, eles vão cedendo, pela força da gravidade, fazendo com que o sistema funcione. Descem cerca de 2 metros por dia. Além de girar a manivela, a cada visita técnica Augusto aproveita para lubrificar as engrenagens, com óleo de motor, e ajustar o horário. De acordo com ele, sempre ocorre uma diferencinha de uns 10 ou 15 segundos. No caso do relógio da Luz – cujos mostradores têm quase quatro metros e meio de diâmetro – é preciso dar corda uma vez por semana. Mas isso varia de relógio para relógio.

E com quem Augusto aprendeu o ofício?
Ele aprendeu com o avô, que também se chamava Augusto e morreu em abril de 2008. Mas desde 1998, quando o velho Augusto passou a não conseguir mais subir as escadarias que levam às torres onde estão os relógios, o neto assumiu o trabalho de vez. Também, veja só, no caso da Estação da Luz, onde eu subi, há alguns anos, com ele para acompanhar o trabalho, são 145 degraus.

O pior dia para ele deve ser quando começa ou termina o horário de verão, não é?
Pois é. É um corre-corre. Augusto tem poucas horas para acertar todos os relojões da cidade. Ele diz que, como a mudança sempre acontece na noite de sábado para domingo, ele acorda cedinho no domingo e vai a todos os relógios clientes.

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