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O imigrante

Edison Veiga

18 Fevereiro 2011 | 14h47

“As imigrações vieram trazer o braço que a lavoura e a nascente indústria reclamavam:

A Rua passa,
vai falando
Ítalo, árabe, hebraico, russo, japonês.
Um dia, não sei quando,
Um sujeito passou falando português…

Com esta pincelada o poeta pintou o clima de São Paulo nos anos 1920: até português falava-se em São Paulo. Mas não em qualquer bairro ou em qualquer ramo de negócio: era comum as negociações concluídas com mascates árabes onde, primeiro, apontava-se para a mercadoria com uma das mãos, enquanto os dedos levantados da outra indicavam sua quantidade, depois mesma operação apontando para o dinheiro.

Por essa época, algumas ruas do Brás seriam um desafio ao próprio Fellini, tal a exuberância do temperamento peninsular. É a primeira fase da industrialização paulista, onde a “linha importada era enrolada em carretel importado, por operário estrangeiro”.”

Excerto do livro São Paulo: Belle Époque, de Benedito Lima de Toledo e Diana Dorothèa Danon (Companhia Editora Nacional, 2010)