O acervo de Bardi
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O acervo de Bardi

Equipe organizou e catalogou toda a coleção de arte da famosa Casa de Vidro

Edison Veiga

02 de abril de 2016 | 16h00

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão


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Nos últimos 12 meses, uma equipe de quatro pessoas organizou, fotografou, classificou e catalogou todo o acervo de obras de arte que o jornalista, historiador, colecionador e marchand Pietro Maria Bardi (1900-1999) deixou em sua residência, a famosa Casa de Vidro, projetada por sua mulher, a arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992), e sede do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi.

O catálogo completo do acervo foi entregue à Secretaria de Estado da Cultura na última semana. A prestação de contas se fazia necessária, já que o trabalho foi viabilizado via Programa de Ação Cultural (ProAC) do governo paulista. “Conseguimos R$ 110 mil”, afirma uma das diretoras do instituto, Anna Carboncini, que coordenou o trabalho. “É pouco para uma tarefa como esta. Mas como dizia Bardi, já que não tínhamos cão, caçamos com gato.”

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Do montante, R$ 6 mil foram destinados ao restauro de três dos mais preciosos itens desse acervo de, agora se sabe, 1,9 mil peças. São três álbuns: um com obras do italiano Giorgio de Chirico (1888-1978), outro do suíço Max Bill (1908-1994) e um último com obras de dez autores, entre eles o russo Wassily Kandinsky (1866-1944). (A primeira das imagens abaixo mostra gravura de Kandinsky; a outra é obra assinada por Giorgio de Chirico.)

Imagem: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi/ Divulgação

Imagem: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi/ Divulgação

Imagem: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi/ Divulgação

Imagem: Acervo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi/ Divulgação

Organizar o arquivo de Bardi rendeu algumas boas surpresas para os profissionais que desempenharam a tarefa. “Não tínhamos a menor ideia do que encontraríamos. Imaginávamos que haveria material consistente, mas não sabíamos de fato”, admite Anna, com o conhecimento de quem trabalhou com o colecionador durante cerca de 10 anos, quando este comandava o Museu de Arte de São Paulo (Masp). “Eu fiquei particularmente comovida quando me deparei com uma fotografia feita pelo Bayard.” O francês Hippolyte Bayard (1801-1887) foi um pioneiro da fotografia. A imagem da coleção de Bardi traz uma cena de destruição na Paris de 1871, logo após a insurreição popular que resultou na Comuna de Paris – o primeiro governo operário da história.

Predominantemente composto por gravuras, o acervo ainda traz peças do alemão naturalizado francês Hans Arp (1886-1966), da russo-francesa Sonia Delaunay (1885-1979), do alemão Max Ernst (1891-1976) e do suíço naturalizado francês Le Corbusier (1887-1965). Dos brasileiros, há obras de Flávio Império (1935-1985) e Wesley Duke Lee (1931-2010), entre outros nomes.

Agora, a expectativa do instituto é conseguir verba para esmiuçar outra parte importante do acervo de Bardi: a documental. “Ele se correspondia com muita gente importante, artistas de seu tempo, por exemplo”, comenta Anna. “Uma vez que já descobrimos um tesouro do Bardi, é a hora de tentarmos revelar o outro tesouro.”

Antes, em várias etapas, a coleção da arquiteta Lina Bo Bardi já foi totalmente catalogada. São 7,5 mil desenhos e documentos – só de croquis e estudos do Masp, obra dela, há mais de 700 itens.

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