No Pico do Jaraguá, a memória do bandeirismo
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No Pico do Jaraguá, a memória do bandeirismo

Edison Veiga

14 de fevereiro de 2013 | 11h56

Nas alturas de São Paulo, a memória do bandeirismo. Esta era a ideia da administração paulistana em 1940. Foi quando o interventor federal Adhemar Pereira de Barros (1901-1969) desapropriou a Fazenda Jaraguá, com seus 500 hectares, onde estão os dois pontos geográficos mais altos do município, o Pico do Jaraguá, com 1.135m, e o Pico do Papagaio, com 1.127m.

A propriedade rural – onde se cultivava café – começava a dar lugar, então, a uma parque público, com grande reserva florestal de Mata Atlântica e uma abundância de exemplos da flora (jequitibás, jatobás, cedros e juçaras) e fauna (beija-flores, saguis, veados e preguiças) brasileiras.

Para planejarem o parque, foi criada uma comissão de notáveis. Integraram a equipe o historiador Afonso d’Escragnolle Taunay (1876-1958), o desenhista e historiador Belmonte (Benedito Carneiro Bastos Barreto, 1896-1947) e o historiador Alfredo Ellis Junior (1896-1974), entre outros. “Os três estavam compromissados com a ideia da construção do mito do bandeirante, o que reforçava o papel hegemônico de São Paulo em relação à formação do País”, comenta o historiador Guido Alvarenga, do Arquivo Histórico Municipal.

O plano era, então, fazer do parque um monumento ao bandeirismo. O anteprojeto foi apresentado em aquarelas, feitas pelo artista plástico José Wasth Rodrigues, entre 1950 e 1954. Na entrada do parque, seria construído um pátio de estilo setecentista. A proposta ainda incluía lagos para recreação e abertura de uma estrada até o alto do Jaraguá. Ao longo da alameda que ia da entrada ao pátio seriam instaladas estátuas de 12 bandeirantes paulistas. No alto do pico, uma escultura monumental de São Paulo – o apóstolo – com 90 metros de altura. Seria o Cristo Redentor paulistano. Wasth planejou também um painel de azulejos com uma cena do bandeirismo.

Nada saiu do papel. “Acreditamos que ele não tenha prosperado, porque depois da comemoração do Quarto Centenário (de fundação da cidade, em 1954), tanto o estilo arquitetônico neocolonial quanto a temática bandeirista foram tornando assuntos superados par o grosso da população paulistana”, aponta o arquiteto e pesquisador Eudes Campos, no livro Arquivo Histórico de São Paulo – História Pública da Cidade.

Tema da coluna veiculada pela rádio Estadão em 1º de fevereiro de 2013

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