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No museu, a arte que vem das ruas

Edison Veiga

09 Março 2011 | 14h26

GRAFITE
FOTO: DIVULGAÇÃO

No início da semana passada, 20 grafiteiros paulistanos trocaram as ruas pelo museu. De spray na mão, eles criaram as obras que ilustram uma parede de 5m x 30m e quatro de 2m x 10m no Museu Brasileiro da Escultura, o Mube (Rua Alemanha, 221, Jardim Europa. Tel.: (11) 2594-2601). Trata-se da exposição Murais Coletivos, que fica em cartaz até o dia 20, com entrada grátis.

“Pintar no museu é diferente de pintar na rua”, diz o grafiteiro Binho Ribeiro, participante e curador da mostra. “Não dependemos do tempo. Ao contrário do que acontece ao ar livre, pode chover à vontade que não precisamos parar a obra.”

É a oitava vez que o MuBE sedia uma exposição do gênero. “Como não há uma definição prévia do desenho, é um trabalho bastante livre e fazemos em conjunto, conseguindo reproduzir as características naturais do universo do grafite”, explica Binho.

O artista acredita que ter suas obras expostas no museu é um jeito de democratizar mais ainda o grafite. “Porque aqui dentro vem quem quiser ver. Na rua, a pessoa precisa ter o privilégio de morar perto ou, pelo menos, passar perto de uma boa obra de grafite”, diz ele, que tem 39 anos e se dedica à arte urbana desde 1984.

Publicado originalmente na edição impressa do Estadão, coluna ‘Paulistices’, dia 7 de março de 2011

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