No campo adversário (jogo 4: Chile 1(2) x 1(3) Brasil)
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

No campo adversário (jogo 4: Chile 1(2) x 1(3) Brasil)

Foto: Sérgio Castro/ Estadão Puedo escribir los versos más tristes esta noche, escreveu o poeta chileno Pablo Neruda. Para o escritor e editor de livros Carlos Cornejo Chacón, de 53 anos, que vive em São Paulo desde 1986, a tarde de sábado foi de tristeza – principalmente depois de um êxtase provocado pela possibilidade de

Edison Veiga

30 de junho de 2014 | 13h43

Foto: Sérgio Castro/ Estadão

Puedo escribir los versos más tristes esta noche, escreveu o poeta chileno Pablo Neruda. Para o escritor e editor de livros Carlos Cornejo Chacón, de 53 anos, que vive em São Paulo desde 1986, a tarde de sábado foi de tristeza – principalmente depois de um êxtase provocado pela possibilidade de seus conterrâneos vencerem a seleção brasileira nos pênaltis.

“Não arrisco palpite. O que garanto é que a seleção chilena é um time de guerreiros, e serão guerreiros até o fim”, dizia Carlos antes do início do jogo. Dito e feito. Foram 90 minutos de drama. Depois, mais meia hora de drama. Em seguida, cinco cobranças dramáticas para cada lado.

Carlos reuniu familiares e amigos para assistir ao jogo em sua casa, no bairro da Pompeia. Eram em 14, entre chilenos, brasileiros e até um argentino – que, vestido com camisa azul e vermelha, era “Chile desde criancinha”. Teve “chi-chi-chi le-le-le”. Teve batuque. Teve cantoria e muita torcida. A tensão foi umedecida com pisco de um lado, caipirinha do outro, vinho de um lado, cerveja do outro.

No intervalo, cardápio chileno. Tudo preparado pela amiga, sócia e ex-mulher de Carlos, a brasileira “de coração chileno”, Silvia Rita dos Santos, de 50 anos. Uma salada, humitas (um tipo de pamonha salgada) e um pão caseiro com receita típica.

Foto: Sérgio Castro/ Estadão

São Paulo. Carlos trocou o Chile pela capital paulista quando tinha 25 anos. “Vivíamos a ditadura do Pinochet (que durou de 1973 a 1990) e eu resolvi sair para conhecer outros países”, conta. “Quando cheguei a São Paulo, deparei-me com uma cidade acolhedora, onde não havia distinção a quem vem de fora. Acabei ficando.”

Quatro anos depois fundava sua editora de livros, a Solaris. E cada vez mais se encantou com São Paulo, “lugar onde ser estrangeiro não é um problema, é até um charme”. “É uma cidade fantástica: há todas as cores e todos os povos possíveis dentro de um mesmo vagão de metrô, todas as gastronomias podem ser encontradas, todas as culturas… Cosmopolitismo”, elogia. Diz que só acha ruim a mania de as pessoas formarem fila para tudo e o mau humor dos motoristas no quase sempre congestionado trânsito. “Mas são detalhezinhos. No fundo, sou apaixonado por São Paulo”, afirma.

Carlos ficou enrolado com a bandeira chilena durante todo o jogo. Gritou, vibrou, sofreu, empolgou-se, frustrou-se. Depois da partida, olhando para as imagens feitas pelo fotógrafo do Estado, não se reconheceu. “Eu sempre fui mais do tipo intelectual, não me imaginava torcendo assim”, comentou. Pois é, Carlos. O futebol tem mesmo esse poder. Chi-chi-chi le-le-le.

Versão ampliada de reportagem publicado originalmente na edição impressa do Estadão, dia 29 de junho de 2014

Tem Twitter? Siga o blog

Tudo o que sabemos sobre:

ChileCopa do MundoSão Paulo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.