No campo adversário (jogo 3: Camarões 1 x 4 Brasil)
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No campo adversário (jogo 3: Camarões 1 x 4 Brasil)

Foto: Paulo Liebert/ Estadão Mesmo com a seleção eliminada na primeira fase, a Copa do Mundo foi motivo de alegria para o casal camaronês Victor Macaia, de 47 anos, e Melanito Biyouha, de 43 anos. Poucos dias antes do início do Mundial, eles receberam um telefonema da embaixada camaronesa no Brasil. “Disseram que a seleção

Edison Veiga

24 de junho de 2014 | 13h38

Foto: Paulo Liebert/ Estadão

Mesmo com a seleção eliminada na primeira fase, a Copa do Mundo foi motivo de alegria para o casal camaronês Victor Macaia, de 47 anos, e Melanito Biyouha, de 43 anos. Poucos dias antes do início do Mundial, eles receberam um telefonema da embaixada camaronesa no Brasil. “Disseram que a seleção estava sem cozinheiro e queriam contratar a Melanito para cuidar do cardápio dos jogadores”, conta Victor.

É por isso que Melanito não assistiu ao jogo de ontem na companhia do marido Victor, dos funcionários – dois deles, camaroneses – e dos clientes – alguns, também camaroneses – na tarde de ontem, no restaurante Biyou’Z, na Alameda Barão de Limeira, região central de São Paulo. “Com isso, já ganhamos vários pontos”, comemora Victor. Eles abriram o restaurante em 2008, três anos após trocarem Camarões pelo Brasil, juntando-se a outros cerca de 200 imigrantes do país que vivem em São Paulo.

“No começo, trabalhávamos com comércio. Comprávamos roupas e calçados brasileiros e levávamos para vender em Camarões”, conta ele. Mas Melanito já era talentosa cozinheira, algo de família mesmo, uma vez que os pais e avós também sempre foram bons de panela. E eles perceberam que apesar de São Paulo se vangloriar de ter restaurantes típicos dos mais variados países, não havia nada ainda que contemplasse a gastronomia africana.

“Tanto que deu certo que o restaurante tem cardápio africano mas a clientela é muito variada. Brasileiros de todas as cores vêm comer aqui”, diz Victor, apontando para os que se sentavam à mesa na tarde de ontem, pouco antes do jogo.

O menu tem pratos típicos de vários países africanos. De Camarões, há quatro representantes. Macala é um tipo de bolinho de chuva com feijão. DG traz banana da terra frita com legumes e galinha. Ndole leva pasta de amendoim cozida com folha de boldo, banana da terra cozida e carne. Por último, mbongo tchobi é bagre com mbongo, um tempero africano, e mandioca.

Adaptação. “Viver em São Paulo não é difícil. Basta ser honesto e trabalhar direitinho que a vida é fácil por aqui”, avalia Victor. “E o brasileiro convive bem com africanos.”

O casal não abandonou completamente Camarões. Ficam lá ao menos um mês por ano. E os filhos, dois meninos, um de 6 e outro de 13 anos, vivem lá, com os avós. “Vou para lá depois da Copa”, conta Victor.

Mas apesar das idas e vindas ao país natal, ele se considera cada vez mais brasileiro. Tanto que, ontem, vibrou pela seleção brasileira. “Se Camarões ainda tivesse chance, torceria para Camarões. Mas chegamos à última fase em uma situação impossível: mesmo se ganhássemos por 1 milhão a zero, estaríamos fora”, resigna-se. “Então, sou 100% Brasil.”

Na tarde de ontem, o gol de Camarões foi o mais comemorado no restaurante africano. Mas os do Brasil também ganharam aplausos.

Versão ampliada de reportagem publicada originalmente na edição impressa do Estadão, dia 24 de junho de 2014

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