Museu da Língua Portuguesa pega a estrada
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Museu da Língua Portuguesa pega a estrada

Edison Veiga

05 de agosto de 2013 | 12h09

FOTO: DIVULGAÇÃO

Desde sábado, uma “filial” do Museu da Língua Portuguesa roda pelo Estado. Chamada de Estação da Língua, a exposição itinerante começa em Santos, no litoral, onde fica até o dia 31 no Centro de Atividades Integradas de Santos. Outras seis cidades já estão no calendário, até a metade do ano que vem.

“Desde que o museu foi inaugurado, temos esse sonho de que ele não se limite à sua sede, na Estação da Luz”, diz o diretor da instituição, Antonio Carlos de Moraes Sartini. Criado em 2006, com uma proposta multimídia, é um dos mais visitados do País – registra uma média mensal de 50 mil pessoas.

O Museu da Língua tem essa possibilidade de ser ambulante porque, ao contrário de museus de arte, seu acervo não tem um valor material significativo, já que o material expositivo se constitui basicamente por painéis e equipamentos audiovisuais facilmente reproduzíveis.

Ensaios nesse sentido foram realizados duas vezes. Em 2009, uma mostra organizada pela instituição ocorreu no espaço de circulação de passageiros da Luz – atingindo 400 mil pessoas por dia. No ano seguinte, foi a vez de o museu expor em Brasília.

Com patrocínios de R$ 2,5 milhões conseguidos via Lei Rouanet, Sartini conta que a itinerância está garantida até o fim do primeiro semestre de 2014. A Estação da Língua passará por Registro, Campinas, Sorocaba, São Bernardo do Campo, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.

Se depender do diretor, entretanto, a vocação ambulante vai continuar: ele quer fazer novas parcerias para que o projeto não acabe no fim desse período. “As cidades foram escolhidas por serem centros regionais. Assim, buscamos atingir o público de todo o Estado. Mas quem sabe depois vamos para outras, até de outros Estados.”

E já que a turnê vai ser caipira, os diferentes falares regionais paulistas estarão contemplados. Quem for visitar a Estação da Língua saberá que “bicho de fruta” é chamado de “bigato” em cidades como Bauru e São José do Rio Preto, e “coró” nas regiões de Itapetininga e Sorocaba. E libélula recebe o apelido de “helicóptero” em lugares como Barretos e Presidente Epitácio, enquanto em Taubaté e Caraguatatuba as pessoas a chamam de “pita” ou “pitão”. “Mas também vamos reproduzir espaços clássicos do Museu da Língua, como a linha do tempo que mostra a evolução do idioma”, diz Sartini. “Ao mesmo tempo, queremos incorporar esse mapa dos falares paulistas ao acervo fixo do museu.”

A Estação da Língua ganhou sua própria página no Facebook (www.facebook.com/estacaodalingua).

Tema da coluna veiculada pela rádio Estadão em 5 de agosto de 2013

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