Mercados de SP querem ficar mais pop
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Mercados de SP querem ficar mais pop

Empreendimento de Alex Atala na unidade de Pinheiros e reformas nas do Ipiranga e de São Miguel Paulista começam a dar nova cara aos mercados públicos municipais

Edison Veiga

08 Março 2016 | 06h24

Foto: Clayton de Souza/ Estadão

Foto: Clayton de Souza/ Estadão


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Nada mais natural que a cidade que se gaba de ser uma das capitais mundiais da gastronomia volte-se aos seus mercados municipais. “É um local que deve refletir muito bem a diversidade cultural local”, afirma o premiado chef Alex Atala. Ele próprio, aliás, está à frente desse processo: por meio de uma organização social que criou, o Instituto Atá, investe em melhorias no Mercado de Pinheiros, na zona oeste da cidade.

O instituto de Atala, em parceria com outras entidades, abriu ali na semana passada quatro novos boxes, todos focados em ingredientes de diferentes biomas do Brasil. Inaugurada em janeiro, a unidade pocket do famoso restaurante Mocotó, já em pleno funcionamento, também faz parte desse projeto.

“Escolhi Pinheiros porque é uma região que tem, no DNA, a cultura do restaurante, do bar, da gastronomia”, explica Atala, que avalia o empreendimento como algo que “não é simples nem confortável”. “Estou colocando minha reputação em risco. Mas, confiante de que vai dar certo”, afirma.

Foto: Clayton de Souza/ Estadão

Foto: Clayton de Souza/ Estadão

Permissionários do tradicional mercado inaugurado em 1910 comemoram a iniciativa. “Quatro anos atrás, este lugar era assustador, um deserto”, compara Sandra Melenas, proprietária do Empório Guareí, box 910. “De uns tempos para cá, uma clientela diferente tem passado a frequentar o mercado, o que é muito bom. Agora, então, as expectativas são altíssimas.”

Ele e muitos outros comerciantes do local gostariam que o horário de funcionamento fosse alterado. “O mercado precisaria abrir aos domingos e, nos dias de semana, ficar funcionando até mais tarde”, comenta Sandra. “Tem tudo a ver com o perfil dessa nova freguesia.” A prefeitura, entretanto, afirma que não pretende fazer essa alteração por enquanto.

Ao mesmo tempo em que recebe os investimentos de empresários, o Mercado de Pinheiros também ganhou obras da administração municipal. De acordo com a Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo, o local recebeu recentemente melhorias nos banheiros, pintura interna e externa, manutenção das redes hidráulica e elétrica. “Para a reforma do deck e rede hidráulica, o investimento foi de R$ 873.547,62. Para as adequações e instalações elétricas e para a pintura o valor foi de R$ 726.339,24”, informa a pasta. “Além da comercialização dos produtos, o novo espaço também será utilizado para cursos, demonstrações e degustações, além de manifestações artísticas e intervenções de artistas plásticos, seguindo uma nova concepção de desenvolvimento e política de segurança alimentar e nutricional que buscamos para os equipamentos de abastecimento da prefeitura.”

Atala acredita que associar seu nome a um local como o Mercado de Pinheiros faz com que “todo mundo ganhe”. Mas ele gostaria que iniciativas assim se replicassem em outros dos 15 mercados municipais de São Paulo. “Que seja inspirador, que todos possam ser melhorados também. Porque um mercado só faz sentido quando for do povo”, diz.

Foto: Clayton de Souza/ Estadão

Foto: Clayton de Souza/ Estadão

A Prefeitura quer aproveitar o momento. A Secretaria informa que “dentro dessa nova política de desenvolvimento, os equipamentos de abastecimento sofrerão mudanças de acordo com as demandas de cada região”. Caso já em andamento é o de São Miguel Paulista (foto acima), inaugurado em 1967 na zona leste da capital. Ali, estão sendo construídos 16 novos boxes (imagem abaixo), no pavilhão D. Em sua maioria, serão destinados a produtos orgânicos, obtidos com agricultura familiar.

Foto: Clayton de Souza/ Estadão

Foto: Clayton de Souza/ Estadão

Inaugurado em 1933, o mais famoso e movimentado dos mercadões paulistanos, o da Cantareira, foi totalmente reformado há 12 anos. Na época, a fachada foi recuperada, os vitrais restaurados e o local ganhou um mezanino com quiosques de comes e bebes – que, inaugurado, acabou se tornando um point turístico da capital.

Outro dos mais tradicionais mercados da cidade, o do Ipiranga, aberto em 1940, também passou por melhorias recentes. No início do ano passado, obras resultaram em uma nova pintura na fachada – que ganhou a cor amarela.

Obras também estão previstas para alguns dos 17 sacolões municipais. No Sacolão City Jaraguá, na zona norte, além da construção de novos boxes, estão sendo realizadas recuperações hidráulicas e elétricas. O local também passa por pintura.

Virtude histórica dos mercadões que continua a atrair a freguesia, o bom atendimento continua valorizado. Ao zanzar pelos mercados municipais, é comum se deparar com lojistas chamando cliente pelo nome e um tratamento que, aos mais nostálgicos, traz lembranças dos pequenos armazéns de esquina. “Faço questão de cativar minha clientela, tratar bem mesmo”, conta Sandra, do Mercado de Pinheiros. Ali, uma outra tradição: boa parte dos permissionários oferece serviço de entrega em domicílio – costume que foi iniciado, de acordo com os mais antigos, há quase 30 anos.

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