Memorial resgata auditório destruído de Niemeyer
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Memorial resgata auditório destruído de Niemeyer

Estrutura do prédio atingido por incêndio há 2 anos e 4 meses foi recuperada; em maio, licitação deve ser aberta para o acabamento

Edison Veiga

09 de abril de 2016 | 16h01

Foto: Gabriela Biló/ Estadão

Foto: Gabriela Biló/ Estadão

Dois anos e quatro meses depois de ser atingido por um incêndio de grandes proporções, o Auditório Simon Bolívar, do Memorial da América Latina, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, está praticamente pronto novamente. Pelo menos a parte estrutural do prédio – já que estofamentos, iluminação e todo o acabamento interior será feito após nova licitação, cujo processo deve ser aberto em maio.

Na tarde da última quinta, a reportagem do Estado foi a primeira a conferir, com exclusividade, o espaço recuperado. Foram sete meses de obra, ao custo de R$ 6,5 milhões – bancados com o seguro do prédio –, em que 80 operários dedicaram-se primeiro a retirar todo o material condenado pelas labaredas, depois recontruir tudo, seguindo o minucioso desenho de Oscar Niemeyer (1907-2012).

Foto: Gabriela Biló/ Estadão

Foto: Gabriela Biló/ Estadão

De acordo com o cineasta João Batista de Andrade (foto), diretor-presidente da instituição, o primeiro ano seguinte ao incidente foi todo dedicado a checar, por meio de laudos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), se o auditório apresentava condições de segurança para ser restaurado – ou se, no pior cenário possível, precisaria ser demolido. Uma vez obtida a conclusão de que a recuperação era viável, foi iniciado um trâmite junto aos órgãos de proteção ao patrimônio, já que o local é tombado nas três esferas – municipal, estadual e federal.

Quando as obras foram iniciadas, em outubro do ano passado, os engenheiros optaram por uma curiosa solução para remover uma camada – de espessura de 5 cm a 10 cm – comprometida pelo fogo: finos jatos d’água sob altíssima pressão. “Utilizar outro instrumento poderia comprometer a estrutura”, explica o engenheiro responsável, Fulvio Daniel Silva de Azevedo. Em quatro meses de hidrojateamento, foram consumidos 1 milhão de litros d’água. “Nesta primeira fase, o objetivo principal foi recuperar todo o concreto destruído ou condenado pelo fogo”, conta o diretor administrativo do Memorial, Felipe Pinheiro.

Incidente. Nem bem o fogo foi contido, em novembro de 2013, o diretor-presidente Andrade entrou em contato com duas instituições: a Fundação Niemeyer, responsável pelo legado do famoso arquiteto, e o Instituto Tomie Ohtake – já que uma tapeçaria da artista, de mais de 900 metros quadrados, adornava uma das paredes do auditório.

“O (Carlos) Ricardo Niemeyer (bisneto do arquiteto) veio aqui. Mas informou que a fundação não queria assumir a obra. De qualquer forma, demonstrou confiança de que executaríamos tudo conforme o projeto original”, conta Andrade. “Já a Tomie tranquilizou a todos, dizendo que refazer a tapeçaria seria muito fácil”, conta o filho da artista, o arquiteto e designer Ricardo Ohtake.

Antes de morrer – em 2015, aos 101 anos – ela deixaria o processo encaminhado. “E duas empresas vão bancar tudo”, ressalta Ohtake. A peça está na fase de estudo de cores ainda. De qualquer forma, integra o escopo da segunda e última fase da obra de recuperação do Simon Bolívar: o “recheio”, como explica Andrade.

Em maio, deve ser aberto um processo licitatório para tais trabalhos. Só no segundo semestre, definida a empresa vencedora, serão conhecidos detalhadamente o cronograma e o valor a ser investido. Mas Andrade promete um auditório ainda melhor. “Respeitando o projeto original, vamos melhorar o conforto, a segurança e a acessibilidade”, antecipa. E, por meio de divisórias retráteis, o auditório deve ser capaz de sediar até quatro eventos menores simultaneamente, conforme a necessidade da programação.

Foto: Gabriela Biló/ Estadão

Foto: Gabriela Biló/ Estadão

Enquanto isso, a expectativa da direção do Memorial é inaugurar o foyer antes mesmo da parte central do auditório. “Entendemos que é um espaço que já está pronto. É claro que só poderemos abrir ao público quando houver toda a garantia de segurança e as autorizações dos órgãos competentes”, diz Andrade.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

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